Fábula
53 títulos
O spleen de Paris
Pequenos poemas em prosa
Tradução de Samuel Titan Jr.
Projeto gráfico de Raul Loureiro
O spleen de Paris reúne anedotas, reflexões e epifanias, “pequenos poemas em prosa”, de Charles Baudelaire (1821-1867), o poeta por excelência do século XIX. Após As flores do Mal, publicadas em 1857 e 1861, Baudelaire dedicou os derradeiros anos de sua vida a um último projeto: escrever poesia além do âmbito do verso, inspirado por suas andanças pela capital francesa e pelo spleen da cidade, ou seja, pela “melancolia irritada” que seus becos e habitantes evocavam. Retratando com cumplicidade os personagens miúdos da vida urbana — os pobres e as prostitutas, os velhos e as crianças, os saltimbancos sem vintém e os cães sem rumo —, o poeta criou, como observa Edgardo Cozarinsky na apresentação ao volume, uma “galeria de criaturas em que palpita a matéria romanesca”, em cinquenta textos curtos de intensa beleza.
A cruzada das crianças
Tradução de Milton Hatoum
Ilustrações de Fidel Sclavo
Prólogo de Jorge Luis Borges
Projeto gráfico de Raul Loureiro
A cruzada das crianças é uma pequena obra-prima do francês Marcel Schwob (1867-1905), o “escritor dos escritores”, admirado por nomes como Oscar Wilde, Valéry, Borges e Roberto Bolaño. Publicado originalmente em 1896, o livro recria poeticamente a lendária cruzada das crianças de 1212 rumo a Jerusalém, a partir dos relatos de pessoas ligadas ao evento, incluindo um goliardo, um místico árabe, um leproso e os papas Inocêncio III e Gregório IX. Cada um dos oito capítulos traz uma versão diferente daquela trágica jornada rumo ao Santo Sepulcro, em narrativas conduzidas pelo texto cativante de Schwob — “angelical e diabólico”, segundo Noemi Jaffe —, apresentado aqui na bela tradução de Milton Hatoum.
Considerado o primeiro romance da literatura ocidental, Quéreas e Calírroe — narrativa em prosa concebida no século I d.C. por um autor grego de quem se sabe pouquíssima coisa, Cáriton de Afrodísias — convida seus leitores a uma verdadeira viagem. Em primeiro lugar, a uma aventura rica em incidentes, com raptos e guerras, piratas e potentados, no rastro de dois amantes que perambulam sem descanso pelo Mediterrâneo e pela Ásia Menor procurando um pelo outro. Mas igualmente a uma viagem literária, rumo às origens de um gênero destinado a longa carreira, o romance, prefigurado aqui em sua gama ampla, das fronteiras do mito heroico ao território do folhetim sentimental.
Viagem ao redor do meu quarto
Tradução de Veresa Moraes
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Posfácio de Enrique Vila-Matas
Redigido na fortaleza de Turim e publicado pela primeira vez em 1795, esta pequena obra-prima do tenente e conde Xavier de Maistre (1763-1852), Viagem ao redor do meu quarto, é um exercício de subversão de hierarquias e estruturas formais. Zombando das circunstâncias, o autor transforma seus quarenta e dois dias de confinamento forçado em ponto de partida para uma paródia dos relatos de viagem, das dissertações eruditas e dos tratados de filosofia. Aos poucos, em seus breves capítulos, o sentimento e a fantasia vão tomando conta do cenário, com uma irreverência e originalidade que mostrou-se cheia de sugestões para as gerações seguintes, influenciando de Nietzsche a Machado de Assis.
Confinados a uma cela de castigo, à mercê da espera, do poder e do acaso, três prisioneiros seguem os menores movimentos do pavilhão penal, espreitando a chegada providencial das três mulheres que contrabandeiam a droga, "anjo branco e sem rosto", e os libertam da "sufocante massa de desejo" que os tortura... Obra central da ficção latino americana, A gaiola foi escrita em 1969, na prisão de Lecumberri, na Cidade do México, onde José Revueltas pagava caro por seu papel de líder do movimento estudantil de 1968. Um dos grandes textos da literatura penitenciária, na vizinhança de Graciliano Ramos e Jean Genet, A gaiola vai além: brutal e lírica, ela subverte as relações de força e se transforma numa poderosa parábola sobre a condição humana.
O templo merece lugar entre os grandes livros do período entre as duas guerras mundiais do século XX. Neste romance largamente autobiográfico, que começou a tomar forma em 1929 mas só foi publicado em 1988, cruzam-se a inquietação - sexual, literária, política - do jovem intelectual inglês Stephen Spender e a singularidade de um momento histórico - a República de Weimar - em que uma inédita liberdade de costumes florescia à sombra do nazismo já rampante. Crônica ficcional de um verão passado na Alemanha, em companhia dos amigos e escritores W. H. Auden e Christopher Isherwood, bem como do fotógrafo Herbert List, O templo combina a linhagem do romance de formação com um notável e precoce estudo da ascensão do totalitarismo.
Os Três contos de Gustave Flaubert (1821-1880) constituem um dos pontos mais altos da literatura francesa. Ao retornar a temas, figuras e paisagens que o acompanhavam desde a juventude, o autor de Madame Bovary destilou uma suma de sua obra nas breves páginas deste último livro que chegou a completar. Seja narrando o meio século de servidão de uma criada em "Um coração simples", seja desdobrando a tapeçaria alucinada da "Legenda de São Julião Hospitaleiro" ou ainda reinventando um episódio bíblico em "Herodíade", Flaubert levou a arte da ficção a territórios ainda pouco explorados. Seu contemporâneo Henry James não tardou a ver "um elemento de perfeição" neste livro de 1877; e o próprio Flaubert, a meio caminho de sua redação, confidenciou numa carta: "Tenho a impressão de que a Prosa francesa pode chegar a uma beleza de que mal se faz ideia".
As estrelas
Tradução de Samuel Titan Jr.
Ilustrações de Fidel Sclavo
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Edição bilíngue - português/inglês
Um dos livros mais emblemáticos do escritor norte-americano Eliot Weinberger, As estrelas mescla ensaio, ficção e poesia ao reunir uma verdadeira cosmologia de definições, das mais diversas fontes, culturas e épocas, para responder ao verso inicial da obra: "As estrelas, o que são?". Esses diferentes testemunhos da imaginação humana, provenientes de textos filosóficos, manuais de física, mitologias próximas ou distantes, tradições anônimas e relatos de viagem, foram ordenados pelo autor não por hierarquias prévias, mas por um sutil trabalho de composição que beira a música e que é a marca da grande poesia.
Tudo mundo sabe o que é o tempo, mas é só começarmos a fazer perguntas sobre ele que tudo se complica. Que espécie de coisa é o tempo, que é medido em nossos relógios, mas não se deixa ver nem tocar? Se o tempo passa, então o que o faz passar, qual é o seu motor? Ou o tempo sempre foi igual, desde o início do universo? É possível viajar no tempo? São essas e outras as questões abordadas pelo eminente físico e filósofo francês Étienne Klein nesta breve e saborosa conferência, que procura despertar nos leitores a curiosidade e o espírito questionador que formam a base do conhecimento científico.
Contos maravilhosos infantis e domésticos
Tradução de Christine Röhrig
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Posfácio de Marcus Mazzari
Esta nova edição dos Contos maravilhosos infantis e domésticos, de Jacob e Wilhelm Grimm, reúne em um único volume a totalidade das narrativas coletadas na tradição oral e popular alemã pelos dois irmãos filólogos. Com apurada tradução de Christine Röhrig a partir da primeira edição da obra, publicada em dois volumes em 1812 e 1815, os contos de Grimm, que incluem as andanças do Pequeno Polegar, as desventuras de Rapunzel e as tribulações da Bela Adormecida e de Chapeuzinho Vermelho, entre muitas outras histórias, continuam sendo, duzentos anos depois, uma fonte inesgotável de fascínio e de ensinamento para adultos e crianças.
Na breve conferência Como se revoltar?, Patrick Boucheron aborda o tema da insurgência social de um ponto de vista inesperado: o da época medieval. Mais do que uma idade das trevas, de crença cega e opressão brutal, o período é também pródigo de figuras irreverentes e rebeldes, como Robin Hood e Ivanhoé, e de revoltas religiosas e insurreições camponesas. Recontando alguns desses fatos, o historiador francês nos convida a visitar uma outra Idade Média, fascinante, contraditória e cheia de alertas e sugestões para os tempos presentes - pois, para ele, "a história é uma arte da emancipação".
O homem que plantava árvores
Tradução de Cecília Ciscato, Samuel Titan Jr.
Ilustrações de Daniel Bueno
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Escrita por Jean Giono em 1953 e traduzida para inúmeros idiomas, esta breve narrativa é considerada um dos mais cativantes manifestos ecológicos e humanistas da literatura do século XX. Trazendo a história de um solitário pastor de ovelhas que dedica sua vida a reflorestar uma inóspita região do sul da França, O homem que plantava árvores demonstra como o renascimento da natureza pode também transformar as relações humanas. O livro foi adaptado para o cinema, recebendo o Oscar de melhor curta-metragem de animação em 1988.