Editora 34
Chão Editora

A Chão Editora é uma iniciativa da escritora e editora Beatriz Bracher, de seu pai, Fernão Bracher (1935–2019), e da editora Marta Garcia (ex-Companhia das Letras e Cosac Naify). Fundada em 2018, pretende incentivar o estudo da memória nacional mediante a publicação, principalmente, de fontes primárias, ou seja, relatos, diários, cartas, depoimentos, memórias e crônicas de viagem.

Trabalhando na interseção entre literatura e história, e dando voz a indivíduos das mais variadas extrações sociais, o objetivo da Chão Editora é colocar o leitor em contato direto com textos e documentos que representam diferentes modos de viver e pensar, em especial do Brasil do século XVIII ao início do século XX. Também fará parte do catálogo da editora certa literatura, inédita, ou hoje esquecida e desvalorizada, que possa ser analisada como documento histórico. Em cada livro, esses textos e documentos serão acompanhados de comentários de especialistas — historiadores, críticos literários, cientistas sociais — que os contextualizem.

O público-alvo é o leitor culto e não acadêmico, ainda que as publicações possam ser bem acolhidas no universo escolar e universitário.

Para contatar diretamente a Chão Editora, escreva para editora@chaoeditora.com.br.

29 títulos

A família de Wenceslau Braz, que governou o país entre 1914 e 1918, sempre soube que ele deixara um manuscrito narrando diversas passagens de sua vida pública. Provavelmente iniciadas e concluídas na década de 1940, essas memórias, inéditas até agora, estão contidas em um caderno de capa dura e foram escritas, em grande parte, na Vila Maria, situada em Minas Gerais, na serra da Mantiqueira, onde Wenceslau mantinha uma casa de campo em área de sua antiga Fazenda Três Barras.

Os navios e navegadores franceses foram, ao lado dos ingleses, os que mais frequentaram a costa brasileira entre os séculos xvii e xviii. Navegantes franceses no Brasil Colônia: relatos de viagem, 1615-1767, organizado por Jean Marcel Carvalho França, traz catorze impressões de viagem, nenhuma delas, até agora, editada em língua portuguesa — e a maioria nem mesmo na sua língua original, o francês.

O Amazonas: fragmentos de viagem (1862)
Organização de Heloisa Barbuy, Leticia Squeff
Chão Editora

Em meados do século xix, a Amazônia atraía viajantes de diferentes perfis, de nobres e milionários a naturalistas de primeiro time. A região estava no centro de uma acirrada disputa, em que atuavam o Império brasileiro, as nações que compartilhavam a floresta e países como Estados Unidos e Inglaterra.

Foi nesse contexto que o artista hispano-americano Nicolau Huascar de Vergara atravessou a região, por terra e por rio, de dezembro de 1860 a julho de 1861. No ano seguinte, publicou O Amazonas, um relato de sua viagem, no principal jornal de São Paulo, cidade onde passou a viver.

Em janeiro de 1592, os papéis do jovem poeta Bartolomeu Fragoso, nascido em Lisboa e criado em Salvador, foram sequestrados pela Inquisição portuguesa de sua escrivaninha no Engenho da Cidade, onde ele morava. Entre esses papeis estava o manuscrito de um livro inédito, a que a pesquisadora Sheila Hue, que o encontrou nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, intitulou O Cancioneiro das Baldaias.

Em 13 de maio de 1833, ocorreu no sul de Minas Gerais a insurreição escrava mais sangrenta do Sudeste do Império, em que morreram 33 pessoas — 21 escravizados, 9 membros da família Junqueira, 1 agregado e 2 “pessoas de cor”. Conhecido como a Revolta de Carrancas, o episódio resultou na maior condenação coletiva de escravizados à pena de morte da história da escravidão no país.

Caramurus negros: a revolta de escravos de Carrancas, com organização e posfácio do historiador Marcos Ferreira de Andrade, é fruto de mais de trinta anos de pesquisa. O livro contém a transcrição de parte dos autos do processo-crime da revolta e um posfácio que evidencia como as elites regionais e o próprio Estado imperial lidaram com os rebeldes insurgentes, resultando na maior condenação coletiva da história do Império.

O engenheiro abolicionista
2. No Hotel dos Estrangeiros — Diários, artigos e cartas, 1883-1885
Organização de Hebe Mattos
Chão Editora

Os dois volumes de O engenheiro abolicionista acompanham a retomada da escrita do diário regular de André Rebouças, de 1883 até pouco depois da posse do gabinete conservador e antiabolicionista do barão de Cotegipe, em 20 de agosto de 1885.

O fim do maxixe:
João do Rio e outros pseudônimos de Paulo Barreto — Crônicas
Organização de Juliana Bulgarelli
Chão Editora
Considerado por alguns o criador da crônica social moderna, Paulo Barreto escreveu milhares de textos, publicados ao longo de pouco mais de duas décadas em diversos periódicos. Entre os pseudônimos que usava, um deles se tornou mais conhecido: João do Rio, cuja identidade se confundia com a da cidade que retratou.
As aventuras de Nhô Quim, ou impressões de uma viagem à Corte
Organização de Aline dell’Orto, Marcelo Balaban
Chão Editora
Indicação editorial: Sidney Chalhoub

O encontro do interiorano com a Corte era fonte infindável de pilhérias no Brasil do século xix. No teatro de Martins Pena, por exemplo. Em O juiz de paz da roça, José quer seduzir Aninha, carregá-la consigo para a cidade, logo fala muito do “que é que há lá tão bonito”: três teatros, homem que vira macaco, mágica com muito maquinismo, cosmorama na rua do Ouvidor, cabrito com duas cabeças, porco com cinco pernas.

O engenheiro abolicionista
1. Entre o Atlântico e a Mantiqueira — Diários, 1883-1884
Organização de Hebe Mattos
Chão Editora

O engenheiro abolicionista: 1. Entre o Atlântico e a Mantiqueira Diários, 1883-1884 é o primeiro volume dos diários de maturidade de André Rebouças, um dos principais intelectuais negros brasileiros, pioneiro na introdução e no ensino da engenharia civil no Brasil.

Memórias de Dorothée Duprat de Lasserre:
relato de uma prisioneira na Guerra do Paraguai (1870)
Organização de Francisco Doratioto
Chão Editora
Indicação editorial: José Murilo de Carvalho

A Guerra do Paraguai (1864-70) foi uma hecatombe humana, política e financeira para os países que dela participaram. A confirmação dos atos sangrentos praticados pelo ditador paraguaio Francisco Solano López, descritos por suas vítimas ou por observadores, interessava a setores políticos nos países envolvidos no conflito. Ao mesmo tempo, esses relatos descrevem com honestidade as experiências pessoais de seus autores.

As Memórias de Dorothée Duprat de Lasserre são o único depoimento de uma mulher a respeito do conflito. A autora não só assistiu à violência da guerra, mas viveu na pele os desmandos da ditadura de López. Seu relato, escrito no calor dos acontecimentos, expõe os sofrimentos causados pela guerra na população civil, particularmente nas mulheres paraguaias.

Filipson
memórias de uma menina na primeira colônia judaica no Rio Grande do Sul (1904-1920)
Chão Editora
Posfácio: Regina Zilberman

“Já ouviram falar de Filipson? Um nome esquisito. Nem parece brasileiro. Mas, dentro do Brasil imenso, constituía um pontinho minúsculo que ficava lá nas bandas do Sul, perdido no meio de diversas colônias prósperas compostas em sua maioria de imigrantes espanhóis, italianos e alemães e uma ou outra fazenda de brasileiros.”

Desde a primeira linha, Frida Alexandr surpreende o leitor, interpelando-o com uma pergunta. Mesmo em 1967, quando suas memórias foram publicadas em edição restrita, provavelmente poucos responderiam afirmativamente à sua questão.

Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário:
mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII)
Organização de Aldair Rodrigues, Moacir Maia
Chão Editora
Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário: mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII) reúne transcrições de documentos inéditos sobre a vida e as crenças de mulheres africanas perseguidas no Brasil por forças militares e pela Inquisição.