Editora 34
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Leste - Narrativas da Revolução

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Viktor Chklóvski (1893-1984), o grande crítico formalista russo, autor de Sobre a teoria da prosa, foi instrutor de blindados, comissário do exército e conspirador antibolchevique durante a Primeira Guerra Mundial, as revoluções de Fevereiro e Outubro de 1917 e a guerra civil que se seguiu em seu país. Viagem sentimental, publicado em 1923, é seu impressionante testemunho sobre este período caótico e violento, escrito com uma prosa peculiar, que mescla ironia e lirismo, abordando desde os fronts de guerra até a vida literária no início da república soviética.
Nós
Tradução de Francisco de Araújo
Posfácio de Cássio de Oliveira
Escrito entre 1920 e 1921 pelo russo Ievguêni Zamiátin (1884-1937), Nós é o romance fundador do gênero distópico, tendo influenciado autores como Aldous Huxley e George Orwell. Num futuro distante, com a população mundial reduzida a 10 milhões de habitantes, instituiu-se uma sociedade controlada e mecanizada, o Estado Único. Nela não há espaço para o indivíduo, apenas para o coletivo, as pessoas não têm nomes, apenas números, e qualquer desvio é punido com a morte. Um engenheiro, D-503, escreve um diário (o próprio livro) a fim de registrar os inúmeros benefícios desse mundo "perfeito". Entretanto, ele verá suas convicções abaladas ao conhecer uma mulher misteriosa, I-330, e passar a ter sentimentos há muito reprimidos: sonho, amor, fantasia...
O ano nu, de Boris Pilniák (1894-1938), publicado em 1922, capta o impacto da Revolução de 1917 em um vilarejo à beira das estepes orientais, acompanhando, no calor da hora, o declínio da nobreza rural e a ascensão dos camponeses no ano de 1919. Com sua escrita extremamente inventiva, que incorpora arcaísmos, onomatopeias, refrões e citações de crônicas antigas, o autor criou uma forma literária nova, que, como nota Georges Nivat no posfácio, está próxima das experiências do cinema de vanguarda de Dziga Vertov e Serguei Eisenstein.
O Diário de Kóstia Riábtsev (1926) foi uma das primeiras obras soviéticas de ficção a obter repercussão mundial. A partir de sua experiência como pedagogo, Nikolai Ognióv (1888-1938) cria o personagem de Kóstia, um estudante impulsivo e franco que narra em seu diário o cotidiano dos primeiros anos após a Revolução, abordando tanto as grandes questões sociais do período como as desventuras da vida de um adolescente comum.
Publicada na Rússia em 1927, a novela Inveja é um dos mais bem-sucedidos experimentos de prosa de ficção do período revolucionário. Com um ritmo vertiginoso, que por vezes lembra uma tela cubista, Iúri Oliecha (1899-1960) põe em cena, de um lado, um jovem sonhador e despreparado para a vida e, de outro, um poderoso diretor de indústrias do novo regime soviético. O resultado é um livro de humor lancinante, repleto de ambiguidades, e cuja intensidade verbal e imaginação desenfreada foram recriadas com brilho pela tradução de Boris Schnaiderman, que também assina dois ensaios sobre Oliécha e sua obra incluídos nesta edição.