Editora 34
Coleções

Poesia

30 títulos

Alma corsária é o novo livro de uma das principais poetas contemporâneas brasileiras, Claudia Roquette-Pinto, que retorna à poesia após o elogiado Margem de manobra, de 2005. Com 58 poemas organizados em seis seções, “Alma corsária”, “Na estrada”, “As horas nuas”, “Poemas do Rio”, “Escritos da pandemia” e “Resumo da ópera”, a obra reafirma uma percepção de mundo intensa e singular, em que o impulso de liberdade, de quem se arrisca continuamente a ir além das próprias fronteiras, se depara, tantas vezes, com forças contrárias: saltos no vazio, banalidade do real, horror da pandemia e a passagem das horas que deixa marcas no corpo e na consciência.
Novo livro de poemas de Leonardo Gandolfi, Robinson Crusoé e seus amigos reserva uma surpresa aos leitores. Por um efeito de looping da linguagem — mas também pelo coro de vozes, histórias, referências e personagens que o autor sabiamente instalou no coração desta obra —, a voz que lê um poema é também lida por ele. Entramos assim num território de instabilidades (qualquer semelhança com o século XXI não é mera coincidência) em que as certezas se desestabilizam e as expectativas se alteram. O surpreendente, porém, é que o caos resultante não suprime os afetos, mas antes reafirma sua necessidade — como se nota no excepcional poema de abertura, que dá título ao volume.
Ar-reverso
(Atemwende)
Tradução de Guilherme Gontijo Flores
Edição bilíngue - português/alemão
Ar-reverso (Atemwende, 1967) é, como observou Paul Celan, “a coisa mais densa que já escrevi, e também a mais inapreensível”. Escrito entre 1963 e 1965, o livro dialoga com seu famoso discurso O meridiano, de 1960, onde o autor usa pela primeira vez o termo com que nomeará a obra: “Poesia: pode significar um ar-reverso”. Poeta judeu que sofreu na própria pele a barbárie da Shoah, Celan respondeu como nenhum outro ao desafio de “fazer poesia depois de Auschwitz”, reinventando poeticamente a língua de seus algozes para escavar nela uma realidade própria e redentora — uma proposta criativa a que o tradutor Guilherme Gontijo Flores respondeu, nesta edição bilíngue, com raro rigor e inventividade.
Morando desde os anos 1970 num sítio na região de Petrópolis, no Rio, e dedicando-se ao cultivo da terra, à poesia e à tradução, Leonardo Fróes criou uma obra poética única em nossa literatura. Esta Poesia reunida abarca toda a sua produção, desde seu livro de estreia, Língua franca (1968), até o inédito A pandemônia e outros poemas (2021). De entremeio, pérolas como Sibilitz (1981), que o poeta João Cabral de Melo Neto considerou “de primeira água”, Argumentos invisíveis (1995), pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti, ou o depurado Chinês com sono (2005). A cada livro, Fróes vem maturando sua obra e se afirmando — há tempos — como um dos nossos maiores poetas, lido e celebrado por sucessivas gerações.
A rosa de ninguém
(Die Niemandsrose)
Tradução de Mauricio Mendonça Cardozo
Edição bilíngue
A rosa de ninguém, publicado originalmente em 1963, é um dos principais livros de Paul Celan (1920-1970), escritor cuja vida e obra foram profundamente marcadas pela experiência da Shoah e que é hoje reconhecido como um dos poetas mais importantes de língua alemã. Mais divulgado entre nós através de antologias, aqui o leitor brasileiro terá a oportunidade de encontrar um livro inteiramente concebido pelo autor, com as sequências de poemas e reverberações entre eles formando um todo maior que as partes. Nesta edição bilíngue, testemunhamos a força de sua poesia de resistência e afirmação radical da vida, aqui belamente recriada na tradução de Mauricio Mendonça Cardozo.
Poesia + reúne quase duzentos poemas de Edimilson de Almeida Pereira, poeta e ensaísta, pesquisador das culturas populares e afrodescendentes e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Esta antologia, organizada pelo próprio autor em oito blocos temáticos (incluindo 34 poemas inéditos), atesta de maneira decisiva a singularidade de um percurso poético que dialoga com linhas centrais do modernismo brasileiro mas também, com uma força raras vezes vista entre nós, incorpora vozes historicamente silenciadas e formas extremamente originais de ver/pensar o mundo, nas quais a carga de ancestralidade e o poder de invenção contemporâneo convivem e se renovam mutuamente.
Tudo pronto para o fim do mundo, quarto livro do poeta mineiro Bruno Brum, não poderia estar mais em sintonia com os dias atuais. É de um desencanto profundo com as formas assumidas pela vida contemporânea que nascem estes poemas, ainda que perpassados de humor e, por vezes, de uma réstia de lirismo ou ternura. Iconoclasta, perspicaz, cínica e melancólica, a poesia de Bruno Brum se move como o personagem de seu "Porcossauro" - um dos poemas-síntese do livro -, misto de porco e dinossauro que vagueia, cabisbaixo e pensativo, por um mundo em vias de extinção: "Não há para onde ir, conclui, atravessando a rua".
Só para maiores de cem anos
antologia (anti)poética
Tradução de Joana Barossi, Cide Piquet
Edição bilíngue
Nicanor Parra (1914-2018) foi um dos principais poetas chilenos do século XX e para muitos, como o crítico Harold Bloom, um dos maiores poetas do Ocidente. Desde 1954, quando lançou Poemas e antipoemas e criou a "antipoesia" (com uma linguagem próxima àquela falada nas ruas, irônica e provocadora), até 2018, quando faleceu aos 103 anos, Parra nunca deixou de escrever e publicar, reinventando-se a cada geração, com uma obra que revolucionou a literatura de seu país e influenciou autores em todo o mundo, de Ferlinghetti a Roberto Bolaño. Só para maiores de cem anos é a primeira grande antologia de Parra publicada no Brasil, em edição bilíngue, e reúne 75 poemas de seus principais livros, selecionados e traduzidos por Joana Barossi e Cide Piquet.
Manuel António Pina (1943-2012), vencedor do Prêmio Camões em 2011, é um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea. O coração pronto para o roubo, volume organizado por Leonardo Gandolfi - poeta e professor de literatura portuguesa na Unifesp, responsável também pelo posfácio e pela seleta de entrevistas que integram a edição -, é a primeira coletânea poética do autor publicada no Brasil e reúne mais de oitenta poemas de todos os seus livros.
Livro de estreia da carioca Yasmin Nigri, Bigornas é um trabalho surpreendentemente sólido. Mais que uma simples coletânea de poemas, o livro é construído sobre a ideia de formação poética e tangencia questões como solidão, violência e fracasso. Dividido em quatro partes, reúne desde alguns de seus primeiros poemas, mais distendidos e bem-humorados (Rua de Ontem), passando por uma série dedicada a artistas que influenciam seu olhar (Recibos) e por um romance entre mulheres (Mulher Malevich), até os da última parte (Bigornas), cuja concisão e densidade lhes atribui a eficácia dos golpes bem-assestados.
Nesta quinta coletânea poética de Guilherme Gontijo Flores, carvão :: capim, esses dois elementos quase contraditórios funcionam, conjuntamente, como um símbolo do ciclo da vida. Dividido em quatro partes, o livro parte de uma "Petrografia esparsa", com poemas que aludem às tantas mortes que marcaram e continuam a marcar nossa história. Em seguida, "História dos animais" propõe uma zoopoética que não deixa de enxergar a beleza da morte iluminada, por exemplo, numa pedra de âmbar. Já "Quatro cantatas fúnebres" traz poemas dedicados à guerrilheira Dinalva Oliveira e ao poeta salvadorenho Roque Dalton, ambos assassinados por motivos políticos, para desaguar na parte final, "Lo ferm voler" (referência a um verso do trovador medieval Arnaut Daniel), onde o impulso lírico-amoroso vem reafirmar a vida, o viço e a vontade.
Quantos poetas passam pela vida sem jamais publicar um livro? Hilda Machado, pesquisadora e cineasta nascida no Rio de Janeiro em 1951 e falecida em 2007, foi professora na Universidade Federal Fluminense e diretora premiada em festivais de cinema nacionais. Paralelamente, escrevia poemas, dos quais só publicou dois em vida, sendo que um deles, "Miscasting", tornou-se um verdadeiro cult no nosso meio literário. Deixou, porém, o manuscrito deste Nuvens, que chegou a registrar na Biblioteca Nacional, e que agora se publica graças à colaboração de Angela Machado, irmã da autora, e ao poeta Ricardo Domeneck, que assina o texto de apresentação do volume