O fascínio das palavras
ensaios de literatura
Organização de Cide Piquet
360 p. — 16 x 23 cm
ISBN 978-65-5525-282-8
2026 — 1ª edição
Reconhecido e celebrado por sua obra poética, Leonardo
Fróes (1941-2025) foi também um tradutor, ensaísta e resenhista de mão cheia,
tendo produzido inúmeros textos sobre arte, natureza e literatura — seus temas
prediletos — a partir de vastas e aprofundadas leituras sobre tais assuntos. O
fascínio das palavras reúne pela primeira vez os seus principais ensaios de
literatura, escritos ao longo de meio século de convívio intenso e apaixonado
com os livros.
Os 38 textos selecionados provêm de estudos,
conferências, ensaios e resenhas publicados em livros e periódicos desde os
anos 1970. Com erudição e leveza, Fróes analisa obras de autores que admirava
ou que traduziu, comenta traduções alheias, discorre sobre poesia chinesa, arte
erótica japonesa, haicais, dissidência e contracultura, propõe leituras nada
ortodoxas de movimentos literários como o Romantismo e o Simbolismo, sempre com
ênfase no elemento poético, matéria central de sua vida.
Cobrindo um arco que vai
da Antiguidade Clássica aos dias atuais, do Oriente à Mesoamérica, comparecem
aqui alguns dos maiores nomes da literatura universal, como John Milton, Bashô,
Lord Byron, Fernando Pessoa, T. S. Eliot, Virginia Woolf, Elizabeth Browning,
Manuel Bandeira, Graciliano Ramos, Stendhal, Goethe, Freud, Jung, Tchekhov, entre muitos outros. Obra de interesse para o
público acadêmico e para os leitores em geral, estes ensaios ensinam e
inspiram, constituindo um refinado guia de leituras apresentado por um dos
nossos maiores poetas.
Texto orelha
É muito provável que você, que agora está com este livro nas mãos, já conheça a poesia de Leonardo Fróes (1941-2025) e saiba um pouco, ou muito, sobre essa figura incrível: poeta, tradutor, ensaísta, profissional bem-sucedido quando ainda estava na casa dos vinte anos, que decidiu largar as grandes cidades e editoras por onde passou, para construir uma vida nova com sua companheira Regina, a partir do chão rústico, num pequeno sítio no distrito de Secretário, em Petrópolis, Rio de Janeiro.
Na cabeça de seus leitores, a imagem de Fróes se confunde com a das árvores que ele plantou naquele pedaço de terra. E isso é muito justo. Mas também é preciso ressaltar que esse mergulho de Fróes na natureza nunca significou um afastamento do mundo dos livros, da cultura, dos estudos. Na verdade, é o contrário. Seu gênio era exatamente o de alguém que sabia circular com a mesma fluência entre bichos e livros, línguas e plantas, frutas e versos, sempre com o sorriso leve e o espanto de menino diante da vivacidade das palavras descobertas. Fróes se sentia tão à vontade com a mão na terra quanto sentado em sua mesa de trabalho, passeando pelas diversas línguas que conhecia ou dando à luz mais alguma frase perfeita na sua velha máquina de escrever.
No lindo poema “Convivencial”, Fróes já havia dito: “Vivo entre poetas antigos,/ amigos de longa data. [...] Ouço esses poetas cantando/ como companheiros de bar. [...] Admirando na diversidade dos tomos/ a multiplicidade de formas/ que a vida assume/ sem destino”. Nada o retrata melhor. Seja no sítio ou na casa da cidade, na rua Machado de Assis, as paredes e mesas cobertas de livros não deixavam dúvida: ali vivia um apaixonado “Dom Quixote de las Letras”, para quem os livros eram seres tão vivos — e vidas por viver — quanto as coisas todas da porta para fora.
Leonardo Fróes era um poeta total, que encontrava poesia em tudo que fazia, não apenas nos textos, a ponto de transformar a própria vida num poema. É impressionante, em cada um de seus trabalhos, como ele se esmerava para entregar “artigos finos”, repletos de cuidado, erudição e beleza. Era incapaz de fazer “de qualquer jeito” — e isso talvez explique por que ele decidiu se afastar do mundo das obrigações e agitações sufocantes para poder se dedicar totalmente ao que amava.
A produção ensaística reunida neste volume, escrita durante cinco décadas, andava espalhada em jornais, revistas, livros de outros autores. Não cabe aqui comentar em detalhe a preciosidade de cada texto, de cada parágrafo, mas posso dizer que o leitor que chega a este livro depois de passar pela obra poética de Fróes, uma das mais brilhantes da língua portuguesa, terá o prazer de reconhecer o mesmo frescor da imaginação, a mesma inteligência e a mesma paixão que ele dedicava aos versos, seus e alheios.
Devolvendo as palavras que ele próprio escreveu sobre o leitor Manuel Bandeira, o que encontramos nas páginas de
O fascínio das palavras “é leitura vivida, a dos poetas, e é inevitável que seja leitura crítica, sendo eles quem são — grandes especialistas em ler”. Enfim, não há como dizer melhor: “é o mesmo mestre que está no resto da obra: de sólida formação, mas de espírito aberto. Simples, como se o fosse por requinte. Encantatório. Sempre inovador e ousado”.
Tarso de Melo
Sobre o autor
Leonardo Fróes nasceu em 17 de fevereiro de 1941 em Itaperuna, no
interior do Rio de Janeiro, e se criou na capital. Viveu os anos de
aprendizagem em Nova York e na Europa, e em Petrópolis desde o começo da década
de 1970. Foi editor, jornalista, enciclopedista. Entre 1971 e 1983 assinou a
coluna “Natureza”, no Jornal do Brasil, reproduzida como “Verde” no Jornal
da Tarde de São Paulo, tendo sido um dos primeiros a difundir no Brasil a
cons-ciência ecológica. Traduziu dezenas de livros do inglês, francês e alemão,
de autores como Shelley, Goethe, Swift, Choisy, Faulkner, George Eliot e
Malcolm Lowry. Montanhista e naturalista amador, traduziu também livros de
especialistas em ciências da natureza, como Tukaní, do ornitólogo Helmut
Sick, e Naturalista, do mirmecólogo Edward O. Wilson. Recebeu o prêmio
Jabuti de poesia, em 1996, por Argumentos invisíveis, e os prêmios de
tradução da Fundação Biblioteca Nacional, em 1998, da Academia Brasileira de
Letras, em 2008, e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, em 2016.
Nesse último ano recebeu também o prêmio Alceu Amoroso Lima — Poesia e
Liberdade, concedido pelo Centro Alceu Amoroso Lima e pela Universidade Candido
Mendes. Teve sua Poesia reunida publicada pela Editora 34 em 2021.
Faleceu em Petrópolis, RJ, em 21 de novembro de 2025.
Sobre o organizador
Cide Piquet nasceu em Salvador em 1977 e estudou Letras na USP. É
editor, tradutor e poeta. Trabalha na Editora 34 desde 1999, atuando
especialmente nas coleções de poesia, literatura russa e literatura
estrangeira. Traduziu Nossa vingança é o amor: antologia poética (1971-2024),
de Cristina Peri Rossi (Editora 34, 2025, com Ayelén Medail), 20 haicais de
Issa, de Kobayashi Issa (Igarapé, 2020, e-book disponível na internet), Só
para maiores de cem anos, de Nicanor Parra (Editora 34, 2018, com Joana
Barossi), Esta vida: poemas escolhidos, de Raymond Carver (Editora 34,
2017), e Histórias para brincar, de Gianni Rodari (Editora 34, 2007),
entre outros. Publicou traduções de ensaios e poemas em livros, revistas e
antologias como Serrote, Piauí, Modo de Usar & Co., Escamandro
e Revista Cult. De sua autoria, publicou as plaquetes malditos
sapatos: 18 poemas de amor e desamor (Hedra, 2013, coleção Sem Chancela) e Poemas
e traduções (Quelônio, 2017), além de colaborações em blogs, revistas e
antologias. Ministrou cursos, palestras e oficinas sobre edição e tradução na
Casa Guilherme de Almeida, Casa das Rosas, Espaço Cult, Universidade do Livro
da UNESP e na Escola de Comunicações e Artes da USP, em São Paulo.
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