Poesia
47 títulos
Em Horas perplexas, Reynaldo Damazio apresenta uma poesia introspectiva, de forte caráter existencial, em que o sujeito lírico se mostra esfacelado diante da paisagem inóspita de nossos dias. Propõe, a partir daí, indagações sobre o discurso poético, experimentando diversos registros de linguagem, do mais solene ao mais prosaico, e mostra que a poesia ainda é uma das melhores respostas à solidão conflituosa do homem moderno.
Concebido como uma espécie de partitura musical, o terceiro livro da poeta paulista encena uma subjetividade becketiana e jazzística, em que infinitas modulações de vozes se fazem ouvir por trás da fluidez de sua escrita solta e exata. Para Armando Freitas Filho, que assina a orelha, é "uma reescrita ininterrupta que não permite que se destaque qualquer trecho, pois, mesmo que este corpo exposto seja feito de poemas, ele tem uma sequência biológica, que não permite qualquer desmembramento".
Como observa a crítica Maria Betânia Amoroso, nos poemas de Ruy Proença o eu lírico se move no "intervalo entre morrer e fazer poesia" - daí o sentimento paradoxal de sobriedade e liberdade imagética que caracteriza boa parte deste Visão do térreo. Não por acaso, o amor, a morte, os ferimentos visíveis e invisíveis afloram com frequência em seus versos, mas com uma melancolia muitas vezes temperada de humor.
Em Baque, o premiado poeta Fabio Weintraub abre mão de nomear sua paisagem íntima para dar voz a uma outra intimidade: a de prostitutas, motoboys, doentes, ex-modelos, mendigos, idosos, entre outros seres que vagam pela cidade entregues à própria sorte. Por meio de uma escolha muito precisa de imagens, ritmos, dicções, os poemas do livro cristalizam &mdash no melhor sentido da palavra - a experiência do espaço social degradado de uma grande metrópole.
Em Sangüínea, Fabiano Calixto, um dos nomes mais importantes da nova geração da poesia brasileira, aposta na variedade de registros, na profusão de tons e de cores. Mas como nota Marcos Siscar, que assina o posfácio, "em nenhum momento essa variedade significa para Calixto uma abdicação da forma". Dono de talento camaleônico, o poeta tira sua força da própria diversidade, e o resultado é uma poesia a um só tempo pop e sofisticada.
Aurora é o único livro deste poeta bissexto e de quase noventa anos, João Alfredo de Paranaguá Moniz. São dezessete poemas, em sua maioria compostos em versos livres e brancos, de grande leveza rítmica: "Vamos partir,/ Que já tenho há muito/ O segredo das águas que avançam/ Arredondando as pedras".
Galáxias
Inclui o CD Isto não é um livro de viagem
Redigidos entre 1963 e 1976, os 50 fragmentos de Galáxias são uma viagem sem igual pelo universo da língua e da literatura. Esta nova edição da obra máxima de Haroldo de Campos foi revista pelo autor antes de sua morte, e contou com a supervisão da viúva do poeta e do professor Trajano Vieira. O volume inclui ainda um CD com leituras de 16 fragmentos do texto pelo autor.
Combinando poemas e gravuras, Cais afirma uma poética que se funda, por um lado, na perspectiva temporal e, por outro, na observação atenta da paisagem circundante. Paisagem que é delimitada pela costa, expande-se pelo mar e envolve um enigmático comércio de imagens: embarque e desembarque de cargas, fluxos de memória, leituras de Rimbaud e outros viajantes estrangeiros, a experiência da cidade e do litoral.
Memória e cotidiano constituem a matéria temporal de Poeira, quarto livro de Fernando Paixão. Dividida em duas partes, "Os dias" (com poemas autônomos) e "Poeira de aldeia" (um poema em 14 fragmentos), esta obra alia a percepção subjetiva do mundo ao interesse por temas universais - a guerra, a morte, a nostalgia da infância -, captando aspectos sutis da experiência humana, quando a poesia se faz próxima do silêncio.
Nova edição revista da mais importante antologia da poesia de Brecht no Brasil. A obra poética de Brecht, tão contundente quanto o seu teatro, é ao mesmo tempo "lírica e política", como dizia Walter Benjamin. Este volume contém 260 poemas, entre baladas, sátiras, canções e exortações à luta, além de uma cronologia da vida e das obras de Brecht: "Fôssemos infinitos/ Tudo mudaria/ Como somos finitos/ Muito permanece".
Duda Machado é escritor, tradutor e letrista, autor de Zil e Crescente.
"A alegria que se encontra neste livro vem da sensação de abrangência por parte de um poeta que, fiel ao rigor e à condensação, avança para uma captação mais ampla do eu, do tempo e da realidade." (Alberto Martins, Folha de S. Paulo)
"A alegria que se encontra neste livro vem da sensação de abrangência por parte de um poeta que, fiel ao rigor e à condensação, avança para uma captação mais ampla do eu, do tempo e da realidade." (Alberto Martins, Folha de S. Paulo)