Editora 34
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Espírito Crítico

22 títulos

Figura
Tradução de Leopoldo Waizbort, Erica Castro, Célia Euvaldo, Milton Ohata
Organização e prefácio de Leopoldo Waizbort

Figura, publicado em 1938, é um ensaio fundamental de Erich Auerbach, um dos maiores críticos literários do século XX. Nele, seu autor percorre ao longo de um milênio a formação do modo de interpretação figural, que confere sentido às relações entre o Velho e o Novo Testamento, alcançando inclusive a Antiguidade greco-romana. Para essa maneira de pensar, Adão e Moisés deixam de ser personagens da história do povo judeu e passam a figuras que anunciam a vinda de Jesus Cristo, unificando passado e presente — visão que predominou em toda a Idade Média e tem sua suma na Comédia de Dante. O presente volume, organizado e prefaciado por Leopoldo Waizbort, traz uma nova tradução do ensaio, direta do alemão, e sete estudos correlatos de Auerbach, redigidos entre as décadas de 1920 e 1950, que demonstram a centralidade do tema na obra do autor de Mimesis.

Tomando como ponto de partida a ideia de que Grande Sertão: Veredas pode ser lido como uma reescrita crítica de Os Sertões, este ensaio aborda a obra-prima de Guimarães Rosa enquanto “o romance de formação do Brasil”. De maneira clara e concisa, Willi Bolle mostra como a narrativa rosiana desconstrói e constrói a história do país, em diálogo com os principais ensaios de interpretação de nossa cultura: desde o livro matricial de Euclides da Cunha até os estudos fundamentais de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Antonio Candido e outros. Por meio do cruzamento dessas múltiplas perspectivas, aspectos centrais do romance — a narração em forma de rede, o discurso diante do tribunal da História, o sistema jagunço como retrato da criminalização e o pacto com o Demônio como alegoria de um falso contrato social — emergem sob luz nova, revelando um conhecimento específico do processo histórico, contido na forma literária.

Experiência e pobreza
Walter Benjamin em Ibiza, 1932-1933
Tradução de Daniel Lühmann

Foram apenas alguns meses de 1932 e 1933 em Ibiza, na Espanha, tempo que marcou a vida de Walter Benjamin profundamente, de modo nunca antes revelado como neste livro de Vicente Valero. Com sensibilidade, pesquisa minuciosa e conhecimento profundo da ilha do Mediterrâneo, o autor nos mostra que foi nesse lugar ainda isolado, com uma economia de subsistência e uma cultura milenar, que Benjamin, fugindo do nazismo e com parcos recursos, cruzou sua trajetória com outros europeus em busca de refúgio e escreveu textos decisivos como “Experiência e pobreza” e “Infância em Berlim”. Publicado em espanhol e traduzido para o alemão e o francês, este belo ensaio biográfico ganha agora edição no Brasil, incluindo uma iconografia dos personagens e locais abordados no estudo.

Rua de mão única
Organização de Jeanne Marie Gagnebin
Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho
Textos em apêndice de Asja Lacis, Siegfried Kracauer, Ernst Bloch e Theodor W. Adorno

Ao publicar Rua de mão única, em 1928, Walter Benjamin sinalizou uma guinada em sua carreira, deixando para trás as convenções da vida acadêmica e partindo para uma experimentação intelectual que surge na própria forma do livro, constituído de sessenta textos breves inspirados pela vivência na metrópole moderna, verdadeiras “imagens do pensamento”. Completam o volume, que traz uma introdução de Jeanne Marie Gagnebin, dois textos de Asja Lacis (a militante e diretora de teatro a quem foi dedicado o livro), que abordam o período em que ela e Benjamin se conheceram em Nápoles e Capri, um deles redigido com o próprio Benjamin, e três resenhas de Rua de mão única assinadas por Siegfried Kracauer, Ernst Bloch e Theodor W. Adorno.

Dante como poeta do mundo terreno
Tradução de Lenin Bicudo Bárbara
Coordenação editorial e revisão técnica de Leopoldo Waizbort
Posfácio de Patrícia Reis
O presente estudo, Dante como poeta do mundo terreno, de 1929, é uma síntese extraordinária da Divina comédia, uma das obras centrais da literatura ocidental. Erich Auerbach, autor de Mimesis, sustenta que não é possível compreendermos a Comédia sem a Summa Theologica de Tomás de Aquino, obra que sistematizou a doutrina dos primeiros Padres da Igreja, na qual a Verdade divina manifesta-se historicamente no mundo terreno. A grande proeza do poeta florentino, segundo Auerbach, foi justamente a de ser o primeiro autor a dar forma literária a essa concepção cristã. Completam o volume uma pequena autobiografia escrita por Auerbach em 1929, quando candidatou-se a professor em Marburg, e um alentado posfácio de Patrícia Reis, em que ela mapeia as correntes intelectuais alemãs da época e a recepção da obra de Dante em meio à ascensão do nazifascismo.
Formação e desconstrução
Uma visita ao Museu da Ideologia Francesa
Posfácio de Giovanni Zanotti
Neste livro, o filósofo Paulo Arantes, um dos mais destacados intelectuais brasileiros da atualidade, guia o leitor pelos caminhos percorridos pela chamada Ideologia Francesa, conjunto prestigioso de ideias que reuniu pensadores como Foucault, Derrida e, na sua variante franco-brasileira, Gérard Lebrun. Sua hegemonia atingiu o ápice no final dos anos 1980, quando, dentro do sistema universitário americano, misturou-se à Teoria da Ação Comunicativa de Habermas e ao neopragmatismo de Richard Rorty. Para o autor, esse cruzamento de conceitos em que predomina a noção de discurso revela na verdade transformações históricas reais, como, por exemplo, o papel legitimador que involuntariamente essas ideias tiveram na atual fase do capitalismo.
A novela no início do Renascimento
Itália e França
Tradução de Tercio Redondo
Coordenação editorial, revisão técnica e posfácio de Leopoldo Waizbort
Prefácio de Fritz Schalk
Publicado pela primeira vez em 1921, A novela no início do Renascimento marca a estreia de Erich Auerbach (1892-1957), autor de Mimesis, na crítica literária, abrindo caminho para uma obra em que está contemplado todo o arco da literatura ocidental. Privilegiando sobretudo o Decameron de Boccaccio (século XIV), após Dante “juntar novamente mundo e destino”, Auerbach explica o momento em que as narrativas medievais, vinculadas à Bíblia e ao sagrado, dão lugar a uma nova forma de literatura — mais aristocrática na Itália e mais burguesa na França —, mostrando homens e mulheres enredados nos acontecimentos, prazeres e dores do mundo terreno.
Seja como for reúne entrevistas, perfis, artigos e documentos daquele que é, na tradição da Escola de Frankfurt, um dos mais importantes críticos da atualidade. O livro cobre cinquenta anos de uma trajetória na qual a coerência, mais que o apego a um método, está ligada aos problemas objetivos do capitalismo contemporâneo. Roberto Schwarz foi o que mais levou a fundo a análise de suas consequências para a vida cultural na periferia, notadamente em seus estudos sobre Machado de Assis, revelando nesse escritor um crítico até então insuspeitado da modernidade — olhar agudo que se estende, no conjunto de sua obra, a vários outros autores e temas. Por sua atualidade, cabe destacar os textos que revisitam o ensaio "Cultura e política, 1964-1969", nos quais o crítico se interroga acerca da produção artística num quadro que combina o avanço do capital e uma ordem política retrógrada - questão que retorna, com urgência extrema, no Brasil do século XXI.
Sertão mar é um clássico do ensaísmo crítico brasileiro. Com ele, a obra cinematográfica de Glauber Rocha ganhou um nível de compreensão inédito, fundamentado agora na análise minuciosa da forma em seus filmes. Ressaltando a originalidade de Barravento (1962) e Deus e o diabo na terra do sol (1964), de Glauber, em contraponto a O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte, e O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, Ismail Xavier mostra como o diretor baiano realizou a fusão do cinema de vanguarda com o que ele mesmo chamou de "estética da fome", transformando as precárias condições do Terceiro Mundo em motor de invenção de sua obra. Esta nova edição inclui em apêndice o posfácio de Leandro Saraiva à segunda edição do livro (2007), o prefácio de Mateus Araújo à edição francesa (2008), e uma entrevista do autor a Vinicius Dantas realizada em 1983.
Escritos sobre mito e linguagem
(1915-1921)
Organização de Jeanne Marie Gagnebin
Tradução de Susana Kampff Lages, Ernani Chaves
Apresentação e notas de Jeanne Marie Gagnebin
Escritos sobre mito e linguagem reúne sete ensaios de juventude de Walter Benjamin (1892-1940), incluindo "A tarefa do tradutor" e "Para uma crítica da violência", em novas e acuradas traduções, acompanhadas de um valioso aparato crítico. Trazendo alguns textos inéditos no Brasil, este volume ilumina um momento fundamental, mas ainda pouco conhecido, da trajetória desse que é um dos maiores pensadores do século XX, abrindo novas perspectivas para o estudo da obra benjaminiana em nosso país.aolp
Trabalho de Brecht
Breve introdução ao estudo de uma classicidade contemporânea
Estudo de referência sobre a obra do dramaturgo Bertolt Brecht (1898-1956), um dos nomes centrais da literatura do século XX e de grande influência no Brasil, este livro aborda o projeto estético e político do autor alemão, vendo em seu método dialético a constituição de uma classicidade contemporânea, estratégica e de combate.aolp
Exercícios de leitura reúne vinte e um ensaios exemplares de Gilda de Mello e Souza (1919-2005), abordando questões de estética, literatura, teatro, cinema e artes plásticas. Das aulas de Lévi-Strauss na recém-criada Universidade de São Paulo até uma exposição retrospectiva de Milton Dacosta no Rio de Janeiro, passando por Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Beckett, Fellini, Glauber Rocha, Paulo Emílio, Almeida Júnior e muitos outros, nada escapa ao olhar lúcido e inspirado da autora, dona de um dos textos mais brilhantes do ensaísmo brasileiro.
aolp