No final da década de 1950, Augusto Boal e seus companheiros do Teatro de Arena revolucionaram o que se entendia por arte teatral no Brasil, tornando o espectador parte ativa do que acontecia no palco. Em 1971, após ser preso pela ditadura, o teatrólogo parte para um longo exílio, percorrendo o mundo e difundindo suas ideias entre os profissionais do meio e entre as pessoas comuns nas ruas e praças, pois, para ele, “o teatro é uma forma de conhecimento e deve ser também um meio de transformar a sociedade”. A suma de todas essas experiências está nas dezenas de exercícios teatrais deste Jogos para atores e não atores, livro traduzido para várias línguas, com diversas atualizações, e que é hoje utilizado até para a psicoterapia, a educação e a formação política. O presente volume traz a versão mais completa da obra, estabelecida em 2013, e inclui textos inéditos de Boal em português reunidos em apêndice.
Nova edição revista e ampliada de Teatro russo, de Arlete Cavaliere, professora titular da Universidade de São Paulo, este livro reúne oito ensaios que examinam uma das mais importantes manifestações artísticas russas pelo original prisma da paródia e do grotesco. Partindo da obra dramática de Nikolai Gógol, com o foco nas comédias O inspetor geral (1836), O casamento (1842) e Os jogadores (1842), a autora passa então a estudar a influência da estética satírica gogoliana sobre a dramaturgia do teatro russo moderno, em especial nas peças de Anton Tchekhov, Aleksandr Blok e Vladímir Maiakóvski, apresentadas nas encenações visionárias de Stanislávski e Meyerhold. Fechando o volume, ricamente ilustrado, um ensaio inédito sobre Vladímir Sorókin, autor de Dostoiévski-trip (1997) e um dos grandes nomes do pós-modernismo na Rússia.
Teatro reunido apresenta um conjunto de catorze peças, oito delas inéditas, assinadas por Augusto Boal (1931-2009), um dos maiores teatrólogos do século XX. Aqui estão as primeiras peças escritas nos anos 1950 quando estudou em Nova York com John Gassner, mestre de Tennessee Williams e Arthur Miller, e aquelas criadas para o Teatro Experimental do Negro, fundado por Abdias do Nascimento. A época do Teatro de Arena é representada por Revolução na América do Sul (1960), a primeira obra em nosso teatro a incorporar formalmente as lições de Brecht, além de uma série de peças que buscaram reagir à repressão após o golpe de 1964. O círculo se fecha com O amigo oculto e A herança maldita, dupla em chave cômico-crítica à família burguesa, redigidas já no início do século XXI. O volume inclui ainda um ensaio de Iná Camargo Costa, escrito para esta edição, e um apêndice com documentos de época, textos críticos e depoimentos assinados por Boal, Sábato Magaldi, Fernando Peixoto e Gianfrancesco Guarnieri.
Sobre a profissão do ator, de Bertolt Brecht, até agora inédito em nosso país, é um livro que vai trazer uma grande contribuição para a formação dos profissionais do teatro no Brasil, e em especial para as montagens de Brecht entre nós. Em mais de sessenta textos curtos, esclarece muitos pontos sobre como um dos mais inovadores dramaturgos da história entendia o modo de atuar no teatro épico. Concebido por Werner Hecht, um dos organizadores das obras completas do escritor, Sobre a profissão do ator ganha nesta edição brasileira uma esclarecedora introdução e notas elaboradas por Laura Brauer e Pedro Mantovani, estudiosos que, além de lastreados pela prática teatral, fizeram pesquisas em arquivos e bibliotecas alemães.
Enquanto a peça A lata de lixo da história foi o testemunho de Roberto Schwarz sobre o golpe de 1964 após ter voltado do exílio, Rainha Lira é a resposta do autor à barafunda atordoante de nosso mais recente transe. Sua escrita começou durante o impeachment farsesco de Dilma Rousseff, atravessou a eleição de um presidente que tem como bandeira restaurar os anos de chumbo e foi concluída após a temporada na prisão de Luís Inácio Lula da Silva. O leitor logo vai reconhecer pessoas em personagens mas, à maneira das peças de Brecht, aqui elas são figuras dos interesses de classe que se engalfinharam no Brasil desde as manifestações de 2013, transformando nosso país num verdadeiro palco do vale-tudo do capitalismo contemporâneo.
Autor de clássicos como a série Kino-Pravda (1922-25) e o longa-metragem O homem com a câmera (1929), Dziga Viértov (1896-1954) foi pioneiro de uma linguagem própria para o cinema e um dos principais nomes da vanguarda soviética. Durante toda a sua vida praticou e defendeu o lema de seu amigo Maiakóvski, segundo o qual não há arte revolucionária sem forma revolucionária. Embora seja um dos diretores de cinema mais influentes do século XX, Viértov teve pouquíssimos escritos publicados em nossa língua e quase sempre em traduções indiretas. O presente volume busca reparar essa lacuna, reunindo noventa textos, vários deles inéditos, entre manifestos, roteiros, artigos, projetos, cartas e poemas, todos traduzidos diretamente do russo pelo organizador Luis Felipe Labaki, acompanhados de mais de cem imagens da Coleção Dziga Viértov do Österreichisches Filmmuseum de Viena.
Um dos mais inquietos criadores da arte contemporânea, o premiado dramaturgo português Tiago Rodrigues combina em seus textos o teatro, a ficção, o ensaio e a poesia, com uma liberdade verdadeiramente revolucionária. By Heart e outras peças — primeiro livro do autor publicado em nosso país — reúne cinco obras, incluindo Natalie Wood, Três dedos abaixo do joelho, Antonio e Cleópatra (inédito em língua portuguesa) e Sopro, escritas entre 2009 e 2017, que exploram dimensões temporais radicalmente novas, ultrapassam de longe o senso comum e mostram como o presente pode ser construído, poética e politicamente, por muitas perspectivas diferentes.
Este livro descreve uma experiência pioneira do que hoje tem sido chamado de “mandato coletivo”: a atuação de Augusto Boal (1931-2009), um dos maiores teatrólogos do mundo, como vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro no início dos anos 1990. Foram quatro anos de “imaginação no poder”, utilizando as técnicas que o tornaram famoso para teatralizar os problemas nas próprias comunidades que os viviam e, assim, criar um novo modo de elaborar leis. Lançado em 1996, Teatro Legislativo sai agora com o texto revisado pelo autor para a edição inglesa de 1998, acrescido de fotografias, documentos e discursos feitos ao longo do mandato, além de depoimentos inéditos de antigos colaboradores e de ativistas contemporâneos em Portugal e nos Estados Unidos.
Obra fundamental da teoria do teatro e livro mais conhecido de Augusto Boal, traduzido para mais de quinze línguas, Teatro do Oprimido foi publicado originalmente na Argentina, em 1974, onde o dramaturgo se exilou após ser preso pelo regime militar brasileiro. Em seus textos, o autor analisa momentos-chave da poética teatral do Ocidente, de Aristóteles a Brecht, passando por Maquiavel, além de explicar os fundamentos técnicos e teóricos do trabalho do ator desenvolvidos por ele no Teatro de Arena, do qual foi um dos fundadores, nos anos 50 e 60, e em sua experiência de teatro popular no Peru, em 1973.
Baseando-se em memórias de cursos e conversas com o grande diretor teatral Konstantin Stanislávski, sua discípula Maria Knebel (1898-1985) reconstitui em Análise-ação as práticas do célebre método do fundador do Teatro de Arte de Moscou. Traduzido diretamente do russo, este volume, organizado por Anatoli Vassíliev, um dos mais renomados encenadores da atualidade, reúne dois livros de Maria Knebel, A palavra na arte do ator (1954) e Sobre a análise ativa da peça e do papel (1959), e traz ainda uma apresentação biográfica da autora escrita por Adolf Shapiro, um texto de Knebel sobre o ator Mikhail Tchekhov e uma série de anexos que complementam a leitura dos dois textos principais e permitem retornar às fontes do ensinamento de Stanislávski.
Com a descoberta do arquivo pessoal de Grande Otelo, o jornalista e crítico musical Sérgio Cabral pôde recompor passo a passo a trajetória pessoal e profissional deste grande artista. Descrição minuciosa de uma vida intensa, controvertida, esta biografia, ilustrada com dezenas de fotos, é o registro dos sonhos e das realizações do "duende encantado e encantador" (como o definiu o ator Paulo José) que viveu sempre na fronteira entre o profissionalismo e a boêmia.
Único romance do cineasta Luchino Visconti, diretor de O Leopardo e Morte em Veneza, conta a história de um menino pobre que chega à cidade de Piacenza (Itália).
"Ângelo é um vigoroso ensaio sobre o universo do 'conde vermelho' [Visconti] - que, a despeito das origens de aristocrata, nunca deixou de expressar profundas preocupações sociais e históricas." (Sérgio Bazzi, Jornal do Brasil)