Poesia
52 títulos
Treme ainda
Livro patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural
Movidos por uma "espécie de desamparo visceral e inquietante", como observou o poeta e crítico português Manuel de Freitas, os poemas de Fabio Weintraub reunidos em Treme ainda extraem sua força de situações extremas, quase terminais. Em versos de um expressionismo frio e medido, o poeta põe em cena todo um arsenal de máscaras e vozes de figuras relegadas às margens da sociedade brasileira para colher aí, no limite, a corrente dilacerada e pulsante da subjetividade contemporânea.
O escritor é alguém que presta atenção ao mundo, disse Susan Sontag. O poeta talvez seja alguém que, ao prestar atenção, se espanta com o mundo e, sobretudo, consegue fazer a linguagem se espantar com ele - e dar saltos. Pois este Jóquei dá muitos saltos, a todo instante. São poemas em prosa, conversas por telefone, cartas para crianças, explosões de ternura. Passeando pelas ruas do Rio de Janeiro, perseguindo carros de bombeiro pelo Brooklyn ou contemplando ondas gigantes de um balcão, sopra deste livro - como disse o crítico Gustavo Rubim, saudando sua primeira edição (Lisboa, Tinta-da-China, 2014) - um "vento de pura selvageria".
20 poemas para ler no bonde
Tradução de Fabrício Corsaletti, Samuel Titan Jr.
Fotografias de Horacio Coppola
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Edição bilíngue espanhol-português
Inédito no Brasil, 20 poemas para ler no bonde é o livro de estreia de Oliverio Girondo (1891-1967), um dos maiores nomes da vanguarda literária argentina. Publicado originalmente em 1922, na França, é uma espécie de relato de viagem de um jovem interessado em tudo que o rodeia: mulheres, bebidas, vitrines, carros, e cidades como Buenos Aires, Paris, Veneza e Rio de Janeiro. A obra, que tem muitos paralelos com o modernismo brasileiro, é apresentada aqui em edição bilíngue e com 22 belas imagens de Horacio Coppola, figura central da fotografia latino-americana.
Píer
Projeto apoiado pelo Programa Petrobras Cultural
Novo livro de poemas de Sérgio Alcides, Píer tem como cenário recorrente o litoral, a praia, a marinha. Muitos textos são compostos como se fossem paisagens, mas o "país" que eles retratam não se prende completamente a nenhuma geografia exterior à própria linguagem da poesia -onde a vida, a memória e a história se reordenam, transfiguradas. O conjunto inclui, além de números avulsos, três "suítes" de poemas: "Ossada", "Píer" (iniciada quando o autor foi escritor-residente do Instituto Sacatar de Itaparica, em 2004) e "À margem do São Francisco".
Flores das "Flores do mal" de Baudelaire
Ilustrações de Henri Matisse
Apresentação de Manuel Bandeira
Posfácio de Marcelo Tápia
Reunindo 21 poemas das Flores do mal, obra máxima de Charles Baudelaire, na tradução de Guilherme de Almeida - considerada por muitos uma das mais belas já realizadas em português -, esta edição bilíngue traz ainda uma apresentação de Manuel Bandeira, as notas em que Guilherme de Almeida comenta aspectos de seu trabalho de tradução, um posfácio crítico de Marcelo Tápia e as inspiradas ilustrações de Henri Matisse.
aolp
aolp
Em Horas perplexas, Reynaldo Damazio apresenta uma poesia introspectiva, de forte caráter existencial, em que o sujeito lírico se mostra esfacelado diante da paisagem inóspita de nossos dias. Propõe, a partir daí, indagações sobre o discurso poético, experimentando diversos registros de linguagem, do mais solene ao mais prosaico, e mostra que a poesia ainda é uma das melhores respostas à solidão conflituosa do homem moderno.
Concebido como uma espécie de partitura musical, o terceiro livro da poeta paulista encena uma subjetividade becketiana e jazzística, em que infinitas modulações de vozes se fazem ouvir por trás da fluidez de sua escrita solta e exata. Para Armando Freitas Filho, que assina a orelha, é "uma reescrita ininterrupta que não permite que se destaque qualquer trecho, pois, mesmo que este corpo exposto seja feito de poemas, ele tem uma sequência biológica, que não permite qualquer desmembramento".
Como observa a crítica Maria Betânia Amoroso, nos poemas de Ruy Proença o eu lírico se move no "intervalo entre morrer e fazer poesia" - daí o sentimento paradoxal de sobriedade e liberdade imagética que caracteriza boa parte deste Visão do térreo. Não por acaso, o amor, a morte, os ferimentos visíveis e invisíveis afloram com frequência em seus versos, mas com uma melancolia muitas vezes temperada de humor.
Em Baque, o premiado poeta Fabio Weintraub abre mão de nomear sua paisagem íntima para dar voz a uma outra intimidade: a de prostitutas, motoboys, doentes, ex-modelos, mendigos, idosos, entre outros seres que vagam pela cidade entregues à própria sorte. Por meio de uma escolha muito precisa de imagens, ritmos, dicções, os poemas do livro cristalizam &mdash no melhor sentido da palavra - a experiência do espaço social degradado de uma grande metrópole.
Em Sangüínea, Fabiano Calixto, um dos nomes mais importantes da nova geração da poesia brasileira, aposta na variedade de registros, na profusão de tons e de cores. Mas como nota Marcos Siscar, que assina o posfácio, "em nenhum momento essa variedade significa para Calixto uma abdicação da forma". Dono de talento camaleônico, o poeta tira sua força da própria diversidade, e o resultado é uma poesia a um só tempo pop e sofisticada.
Aurora é o único livro deste poeta bissexto e de quase noventa anos, João Alfredo de Paranaguá Moniz. São dezessete poemas, em sua maioria compostos em versos livres e brancos, de grande leveza rítmica: "Vamos partir,/ Que já tenho há muito/ O segredo das águas que avançam/ Arredondando as pedras".
Galáxias
Inclui o CD Isto não é um livro de viagem
Redigidos entre 1963 e 1976, os 50 fragmentos de Galáxias são uma viagem sem igual pelo universo da língua e da literatura. Esta nova edição da obra máxima de Haroldo de Campos foi revista pelo autor antes de sua morte, e contou com a supervisão da viúva do poeta e do professor Trajano Vieira. O volume inclui ainda um CD com leituras de 16 fragmentos do texto pelo autor.