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Dupin!

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Dupin!

Edgar Allan Poe

Tradução de Alexandre Hubner, Bernardo Ajzenberg, Sergio Tellaroli

Posfácio de Joachim Kalka

Coleção Fábula

152 p. — 15 x 22,5 cm
ISBN 978-65-5525-279-8
2026 — 1ª edição

Embora Auguste Dupin não seja propriamente um detetive, e sim um jovem cavalheiro parisiense, as três histórias aqui reunidas — “Os assassinatos na rua Morgue” (1841), “O mistério de Marie Rogêt” (1842-43) e “A carta furtada” (1844) —, as únicas protagonizadas por ele, são os marcos inaugurais da chamada “literatura policial”. A influência do personagem de Edgar Allan Poe sobre este gênero literário é admitida por todos os mestres que o sucederam, entre eles Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes, e Maurice Leblanc, autor do “ladrão de casaca” Arsène Lupin. Unindo observação aguda e análise imaginativa, Auguste Dupin intriga e surpreende até hoje, fazendo da investigação criminal uma arte sutil e filosófica.

“Onde estava a literatura policial antes de Poe dar a ela o sopro da vida?” (Arthur Conan Doyle)

“Poe inventou a história policial. Dupin é o primeiro detetive e todos os outros derivam dele.” (Jorge Luis Borges)

“A história de detetive, tal como criada por Poe, é algo tão especializado e tão intelectualizado quanto um enigma de xadrez.” (T. S. Eliot)


Texto orelha

C. Auguste Dupin, o primeiro “detetive” da história da literatura, desvendou seu caso inaugural em 1841, no conto Os assassinatos na rua Morgue. Ele voltou à ação em “O mistério de Marie Rogêt”, que circulou entre 1842 e 1843. Por fim, em 1844, fez sua derradeira aparição em “A carta furtada” (1845). Estas três histórias, aqui reunidas, compõem assim o núcleo pioneiro do que mais tarde se convencionou chamar de “literatura policial”, um dos gêneros literários mais populares de todos os tempos.

Quando criou seu famoso personagem, Edgar Allan Poe tinha 32 anos. Àquela altura, já havia publicado três livros de poemas, em 1827, 1829 e 1831. Tinha contos circulando em revistas e jornais, de menor ou maior alcance, desde os anos 1930. Lançara seu primeiro e único romance, A narrativa de Arthur Gordon Pym, em 1838, com boa recepção. E, dois anos depois, publicara em livro uma antologia de seus contos. Apesar de tudo isso, e de atuar também como crítico literário e editor de periódicos, sua vida era marcada por crônicas dificuldades financeiras e familiares — das quais nunca se livraria —, bem como pelo alcoolismo.

Em Dupin, ao invés de um detetive propriamente dito, Poe nos apresenta um jovem cavalheiro bem posto na sociedade parisiense, muito culto, dono de excepcional poder de observação e de ainda mais formidável capacidade dedutiva. Acompanhado por um amigo jamais nomeado, que relata os casos que ele se propõe a solucionar, Dupin torna-se o conselheiro informal das autoridades policiais francesas, sempre atordoadas diante de mistérios aparentemente insolúveis.

Em “Os assassinatos da rua Morgue”, uma senhora e sua jovem filha são encontradas mortas em um apartamento trancado por dentro. A violência do crime é brutal, mas tudo o que os vizinhos ouviram foram vozes desencontradas, uma delas especialmente suspeita. Em “O mistério de Marie Rogêt”, conto baseado em um crime real, a jovem balconista de uma loja de perfumes é encontrada sem vida no rio Sena. Dessa vez, Dupin dispõe apenas de fontes de segunda mão para resolver o crime. Por fim, em “A carta furtada”, uma intriga política opõe a rainha da França e um de seus ministros. Cabe a Dupin orientar a polícia na busca pelo precioso documento.

Marcos na história da literatura, essas três histórias são assim definidas pelo crítico literário Joachim Kalka, no posfácio escrito especialmente para esta edição: “Do ponto de vista do estilo e da construção, é decisivo que Dupin conduza suas investigações à moda de uma superior especulação estético-filosófica”.


Sobre o autor

Edgar Allan Poe (1809-1849) foi um escritor, poeta, crítico literário e editor norte-americano, considerado uma das figuras centrais do romantismo sombrio. Nasceu em Boston e ficou órfão muito cedo, sendo criado pela família Allan, de quem adotou o sobrenome. Teve uma juventude marcada por conflitos pessoais, dificuldades financeiras e problemas com álcool. Poe destacou-se sobretudo pelos contos, nos quais explorou o terror psicológico, o mistério e o macabro com grande rigor formal. É reconhecido como um dos criadores do conto policial moderno, com as histórias reunidas neste volume: “Os assassinatos na rua Morgue” (1841), “O mistério de Marie Rogêt” (1842-43) e “A carta furtada” (1844). Poe também exerceu influência decisiva no desenvolvimento da literatura de horror e da ficção científica. Como poeta, alcançou fama duradoura com “O corvo” (1845). Atuou ainda como crítico literário, defendendo critérios estéticos rigorosos e a ideia da “unidade de efeito”, segundo a qual uma obra literária deve ser breve e cuidadosamente construída para que todos os seus elementos produzam um único e intenso efeito emocional no leitor. Sua vida foi curta e bastante turbulenta. As causas de sua morte, aos quarenta anos de idade, em Baltimore, jamais foram explicadas.


Sobre os tradutores

Alexandre Hubner é formado em Ciências Sociais e, desde 2001, trabalha como tradutor literário, tendo vertido para o português obras de Herman Melville, V. S. Naipaul, Isaac Bashevis Singer e Philip Roth, entre outros autores de língua inglesa. Entre 2019 e 2022 foi aluno do curso Formação de Escritores e Especialistas em Produção de Textos Literários, do Instituto Vera Cruz, concluído com a apresentação da novela intitulada “Lazarento: uma confissão”. Desde abril de 2022 vive num sítio em Catuçaba, no município de São Luiz do Paraitinga, onde, entre uma tradução e outra, se dedica a atividades agroecológicas. Para esta edição, traduziu o conto “Os assassinatos na rua Morgue”.

Bernardo Ajzenberg é escritor, tradutor, editor e livreiro. Publicou, entre outros livros, A Gaiola de Faraday (2002, prêmio da Academia Brasileira de Letras), Homens com mulheres (2005), Olhos secos (2009), Minha vida sem banho (2014, prêmio Casa de las Américas), Gostar de ostras (2017) e Inveja e outras histórias (2023). Como tradutor, recebeu o prêmio Jabuti em 2010, pela tradução de Purgatório, de Tomás Eloy Martinez, e o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em 2023, pela tradução do francês de Bíblia: as histórias fundadoras, também da coleção Fábula. É proprietário do sebo Tucambira, em São Paulo, e sócio da editora Seja Breve. Traduziu os contos “O mistério de Marie Rogêt” e “A carta furtada”.
Sergio Tellaroli graduou-se em alemão e inglês (FFLCH-USP). Desde 1989 é editor, parecerista, redator e tradutor literário. Como editor assistente, trabalhou nas editoras Ática e Companhia das Letras, e, como editor-chefe, na editora Conrad. Desde 1990, vem atuando sobretudo como tradutor literário, vertendo para o português, entre outros, Elias Canetti, Thomas Bernhard, Robert Walser, Sigmund Freud e Franz Kafka. Traduziu o posfácio “Dupin, ou a invenção do detetivesco”.

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