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As formas do visível
Uma antropologia da figuração
Tradução de Mônica Kalil
Uma máscara yup’ik do Alasca, uma pintura aborígene em casca de árvore, uma paisagem em miniatura da dinastia Song, um quadro de interior holandês do século XVII: pelo que mostra ou deixa de mostrar, uma imagem revela sempre um esquema figurativo particular, identificável pelos meios formais que utiliza e por certa potência que ela manifesta. As imagens nos permitem acessar, às vezes mais do que as palavras, aquilo que distingue as maneiras contrastantes de viver a condição humana. Ao comparar com precisão as imagens de uma diversidade impressionante de culturas, Philippe Descola lança, neste livro magistral, as bases teóricas de uma antropologia da figuração.
A figuração não é fruto exclusivo da fantasia expressiva daqueles que se põem a produzir imagens: só figuramos o que somos capaz de detectar ou imaginar, e só imaginamos e detectamos o que o hábito nos ensinou a discernir. O caminho visual que traçamos espontaneamente em meio às dobras do mundo depende, para Descola, de nossa imersão em uma das quatro regiões do arquipélago ontológico: animismo, naturalismo, totemismo ou analogismo. Cada uma dessas regiões corresponde a uma forma de conceber a ossatura do mundo e fazer seu inventário, de perceber as suas continuidades e descontinuidades — em particular, as diversas linhas de união e de fratura entre seres humanos e não humanos.
Sobre o autor
Nascido em Paris em 1949, Philippe Descola é um dos principais antropólogos de sua geração. Formado em filosofia pela École Normale Supérieure de Saint-Cloud, fez seu doutorado em antropologia na École Pratique des Hautes Études, sob a orientação de Claude Lévi-Strauss, com uma tese baseada em seu trabalho de campo junto aos achuar da Amazônia equatoriana entre 1976 e 1979. Ensinou a partir de 1987 na École des Hautes Études en Sciences Sociales e, em 2000, foi nomeado para uma cátedra de antropologia no Collège de France. Em 2012, recebeu a medalha de ouro do Centre National de la Recherche Scientifique. Suas pesquisas investigam os modos de socialização da natureza, a formação das noções de “natureza” e “cultura” e as diferentes ontologias que daí derivam. É autor de obras como La Nature domestique (1986), Les Lances du crépuscule (1993; ed. bras.: As lanças do crepúsculo, trad. de Dorothée de Bruchard, 2006), Par-delà nature et culture (2005; ed. bras.: Para além de natureza e cultura, tradução de Andrea Daher e Luiz César de Sá), Diversité des natures, diversité des cultures (2010, publicado na coleção Fábula sob o título Outras naturezas, outras culturas, tradução de Cecília Ciscato, 2016) e La Composition des mondes (2014).
Sobre a tradutora
Nascida em São Paulo em 1968, Mônica Kalil formou-se em Comunicação Social pela ESPM (1989) e Administração de Empresas pela FGV (1991). Voltando-se às letras e ao mercado editorial, tornou-se mestre em Estudos da Tradução pela Universidade de São Paulo (2017), com dissertação sobre Marguerite Yourcenar, e integrou, como preparadora de texto, a equipe da Comissão da Verdade da mesma universidade (2016-2017). Entre suas traduções mais recentes, destacam-se As formas do visível: uma antropologia da figuração, de Philippe Descola (Editora 34, Coleção Fábula, 2023) e Sobre a violência e sobre a violência contra as mulheres, de Jacqueline Rose (Fósforo, 2022).
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