Editora 34
Autores

Márcio Suzuki

4 títulos

Márcio Suzuki é professor de Estética do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, pesquisador do CNPq e autor de O gênio romântico (Iluminuras, 1998) e de A forma e o sentimento do mundo (Editora 34, 2014). Fez pós-doutorado na École Normale Supérieure, em Paris. Traduziu Voltaire, Kant, Schiller, Friedrich Schlegel, Schelling, Heine, Husserl, Karl Kraus, Thomas Mann, Elias Canetti e Hans Magnus Enzensberger; recentemente organizou, para a Biblioteca Pólen da Editora Iluminuras, o volume Para uma metafísica do sonho, seleção de textos de Arthur Schopenhauer, e, para a coleção Fábula da Editora 34, O avesso das palavras: história da cultura e crítica da linguagem, 1901-1924, coletânea de escritos do filósofo judeu-boêmio Fritz Mauthner.

O avesso das palavras
história da cultura e crítica da linguagem, 1901-1924
Tradução de Juliana Ferraci Martone, Laura de Borba Moosburger de Moraes, Marcella Marino Medeiros Silva, Márcio Suzuki
Organização e apresentação de Márcio Suzuki
Projeto gráfico de Raul Loureiro

Fritz Mauthner (1849-1923) foi um jornalista e escritor de prestígio em fins do século XIX e inícios do XX, quando lançou-se a um projeto filósofico rebelde e radical, cristalizado nas Contribuições a uma crítica da linguagem (1901-1902) e no Dicionário de filosofia (1910-1924). Nestas obras, ele critica a suposta capacidade da linguagem e da filosofia de representar o mundo, e define os conceitos como uma rede verbal constituída pela metáfora, pela fabulação e pelo mito. Primeira tradução de Mauthner para o português, O avesso das palavras é uma seleta generosa de seus principais textos. Com este volume, organizado por Márcio Suzuki, o leitor brasileiro poderá travar contato com um elo decisivo da tradição filosófica que vem dos românticos alemães e passa por Schopenhauer, Nietzsche e Brandes. Ao mesmo tempo, poderá julgar o fôlego de um ensaísta que cativou alguns dos nomes centrais da literatura modernista, de Joyce e Beckett a Jorge Luis Borges.

O sonho é o monograma da vida retraça a teia — verbal, conceitual, imagética — que vincula a criação literária de Jorge Luis Borges à filosofia de Arthur Schopenhauer. Do primeiro encontro com as obras do filósofo na Genebra da Primeira Guerra Mundial aos relatos, poemas e ensaios da maturidade em Buenos Aires, Borges não cessa de citar, comentar, destilar a lição idealista do alemão. Unindo crítica e filosofia, Márcio Suzuki mostra como, por essa via, o autor argentino chega à formulação de um “programa fantástico-idealista” e a um modo originalíssimo de figuração narrativa e poética da história — individual, sul-americana, universal. Por fim, num excurso surpreendente, o ensaio cruza a fronteira para perseguir o ressurgimento dos mesmos temas na obra de outro leitor de Schopenhauer, o brasileiro João Guimarães Rosa.

A forma e o sentimento do mundo
Jogo, humor e arte de viver na filosofia do século XVIII
Com uma prosa ensaística fluente e rigorosa erudição, Márcio Suzuki, professor da Universidade de São Paulo, analisa neste livro como a filosofia do século XVIII tratou daquilo que os antigos chamaram de "arte de viver": as formas como nos relacionamos com as atividades não produtivas, lúdicas, sem utilidade imediata. Nesse mergulho nas ideias prefiguradas por Montaigne e Pascal e desenvolvidas por pensadores britânicos como Francis Hutcheson e Adam Smith - que trataram do valor do trabalho, mas também do valor do tempo livre, unindo cálculo e sentimento - Suzuki busca iluminar os caminhos que levarão ao pensamento moderno de David Hume e Kant. Como afirma Marilena Chaui, trata-se aqui "de uma outra maneira de escrever história da filosofia".
Obras incompletas
Organização de Gérard Lebrun
Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho
Projeto gráfico de Raul Loureiro
Seleção e ensaio de Gérard Lebrun Prefácio e revisão técnica de Márcio Suzuki Posfácio de Antonio Candido
Antologia primorosa dos escritos de Friedrich Nietzsche (1844-1900), reunindo passagens essenciais de todos os seus livros, estas Obras incompletas são, ao mesmo tempo, bem mais que isso: pela argúcia das escolhas do organizador Gérard Lebrun e pela beleza das traduções de Rubens Rodrigues Torres Filho, constituem uma introdução singular ao pensamento do grande filósofo alemão. Na contramão de todo didatismo simplificador, o que se desenha nestas páginas é menos um corpo de doutrina filosófica e mais um método de interrogação - de textos clássicos, de ideias feitas, da própria condição humana - que talvez seja o que há de mais precioso na obra de Nietzsche.