Editora 34
Autores

Natasha Belfort Palmeira

2 títulos

Natasha Belfort Palmeira nasceu em São Paulo, em 1991. É graduada em Ciências Sociais pela PUC-SP e doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo e pela Université Sorbonne Nouvelle, onde estudou os romances de Machado de Assis e Gustave Flaubert. É autora de A forma livre: Baudelaire e Machado de Assis (Editora 34, 2025). Traduziu, entre outros, O romance de formação, de Franco Moretti (Todavia, 2020).

Um país distante
Cinco aulas sobre a cultura americana
Tradução de Natasha Belfort Palmeira

República, mas de aspirações imperiais; terra da liberdade, no entanto marcada pela violência e pelo belicismo; pátria-símbolo do individualismo, mas sempre às voltas com a solidão e a massificação: por onde se olhe, os Estados Unidos são um enigma a céu aberto. É justamente essa nação que, pelo ângulo da cultura, Franco Moretti tenta decifrar em Um país distante. Nestas páginas, assinadas por um dos grandes críticos de nossos dias, a indagação do autor conduz os leitores por uma galeria de obras e nomes decisivos das letras, das artes e do cinema norte-americanos, como a poesia de Walt Whitman e a pintura de Andy Warhol, iluminando o consumo de massas, as peças de Arthur Miller e as telas de Edward Hopper, confrontando o anonimato e a solidão, e os filmes do cinema noir e do western, figurando a violência fundadora das sociedades modernas.

Baudelaire chegou rápido às letras brasileiras, e não apenas sob a forma dos poemas escandalosos de As flores do mal. Como demonstra Natasha Belfort Palmeira, também os “pequenos poemas em prosa” de O spleen de Paris não tardaram a ser traduzidos, imitados, parodiados por uma turma de jovens escritores. Quase todos desconhecidos, tinham uma coisa em comum: gravitavam em torno de Machado de Assis, secreto instigador dessas leituras pioneiras de Baudelaire. Mas A forma livre não para aí. Ao recontar este capítulo até aqui desconhecido de nossa história literária, a autora reconstrói com ânimo detetivesco como “o circunspecto Machado de Assis incorporou a ideia e a técnica dos petits poèmes en prose ao tecido de suas grandes obras”, em especial às Memórias póstumas de Brás Cubas, que já não poderemos ler sem “reconhecer ali uma tonalidade baudelairiana”, conforme declara Roberto Schwarz em seu texto de apresentação.