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Erich Auerbach

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Erich Auerbach nasceu em 1892, em Berlim, Alemanha. De família burguesa abastada, estudou no Französisches Gymnasium daquela cidade e em 1911 iniciou os estudos jurídicos. Tornou-se doutor em Direito pela Universidade de Heidelberg em 1913 e, no ano seguinte, começou os estudos de Filologia Românica em Berlim. Em outubro de 1914, alistou-se como voluntário para lutar na Primeira Guerra Mundial, quando foi ferido e condecorado. Depois da guerra, retomou os estudos filológicos e doutorou-se três anos mais tarde pela Universidade de Greifswald. Em 1923, casou-se com Marie Mankiewitz, com quem teve seu único filho, Clemens, e no mesmo ano tornou-se bibliotecário na Preussische Staatsbibliothek, em Berlim. Em 1929, sucedeu a Leo Spitzer na cátedra de Filologia Românica da Universidade de Marburg, onde permaneceu até 1935, quando, atingido pelo regime nazista, foi exonerado. Na condição de exilado, voltou a suceder Leo Spitzer em 1936 como professor de Filologia Românica na Universidade de Istambul, Turquia. Durante a Segunda Guerra Mundial, sem acesso a grandes bibliotecas, redigiu Mimesis (1946), obra-prima da crítica literária do século XX. Emigrou para os Estados Unidos em 1947, tornando-se professor da Universidade da Pensilvânia (1948-49), pesquisador do Instituto de Estudos Avançados de Princeton (1949-50) e, em seguida, professor de Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade Yale, onde lecionou até o ano de sua morte. Faleceu em New Haven, Connecticut, em 1957.

Figura
Tradução de Leopoldo Waizbort, Erica Castro, Célia Euvaldo, Milton Ohata
Organização e prefácio de Leopoldo Waizbort

Figura, publicado em 1938, é um ensaio fundamental de Erich Auerbach, um dos maiores críticos literários do século XX. Nele, seu autor percorre ao longo de um milênio a formação do modo de interpretação figural, que confere sentido às relações entre o Velho e o Novo Testamento, alcançando inclusive a Antiguidade greco-romana. Para essa maneira de pensar, Adão e Moisés deixam de ser personagens da história do povo judeu e passam a figuras que anunciam a vinda de Jesus Cristo, unificando passado e presente — visão que predominou em toda a Idade Média e tem sua suma na Comédia de Dante. O presente volume, organizado e prefaciado por Leopoldo Waizbort, traz uma nova tradução do ensaio, direta do alemão, e sete estudos correlatos de Auerbach, redigidos entre as décadas de 1920 e 1950, que demonstram a centralidade do tema na obra do autor de Mimesis.

Dante como poeta do mundo terreno
Tradução de Lenin Bicudo Bárbara
Coordenação editorial e revisão técnica de Leopoldo Waizbort
Posfácio de Patrícia Reis
O presente estudo, Dante como poeta do mundo terreno, de 1929, é uma síntese extraordinária da Divina comédia, uma das obras centrais da literatura ocidental. Erich Auerbach, autor de Mimesis, sustenta que não é possível compreendermos a Comédia sem a Summa Theologica de Tomás de Aquino, obra que sistematizou a doutrina dos primeiros Padres da Igreja, na qual a Verdade divina manifesta-se historicamente no mundo terreno. A grande proeza do poeta florentino, segundo Auerbach, foi justamente a de ser o primeiro autor a dar forma literária a essa concepção cristã. Completam o volume uma pequena autobiografia escrita por Auerbach em 1929, quando candidatou-se a professor em Marburg, e um alentado posfácio de Patrícia Reis, em que ela mapeia as correntes intelectuais alemãs da época e a recepção da obra de Dante em meio à ascensão do nazifascismo.
A novela no início do Renascimento
Itália e França
Tradução de Tercio Redondo
Coordenação editorial, revisão técnica e posfácio de Leopoldo Waizbort
Prefácio de Fritz Schalk
Publicado pela primeira vez em 1921, A novela no início do Renascimento marca a estreia de Erich Auerbach (1892-1957), autor de Mimesis, na crítica literária, abrindo caminho para uma obra em que está contemplado todo o arco da literatura ocidental. Privilegiando sobretudo o Decameron de Boccaccio (século XIV), após Dante “juntar novamente mundo e destino”, Auerbach explica o momento em que as narrativas medievais, vinculadas à Bíblia e ao sagrado, dão lugar a uma nova forma de literatura — mais aristocrática na Itália e mais burguesa na França —, mostrando homens e mulheres enredados nos acontecimentos, prazeres e dores do mundo terreno.
Ensaios de literatura ocidental
Filologia e crítica
Organização de Davi Arrigucci Jr., Samuel Titan Jr.
Tradução de Samuel Titan Jr., José Marcos Mariani de Macedo
Reunião de quinze estudos, quase todos inéditos em português, de um dos grandes nomes da crítica literária do século XX, este livro trata dos principais temas a que Auerbach se dedicou: a ideia cristã de "estilo humilde", as obras de Dante e Vico, a literatura francesa, e as perspectivas dos estudos literários e do humanismo no contexto de uma cultura globalizada.