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16/06/2020

Em 13 de junho de 2020 comemorou-se o centenário de nascimento da grande intelectual negra Ruth Guimarães.

Discípula de Mário de Andrade, ela se lançou no meio literário com a publicação do romance Água funda, em 1946, e com o ensaio Os filhos do medo, de 1950, sobre a figura do diabo no imaginário folclórico brasileiro.

Ruth Guimarães nasceu em Cachoeira Paulista, SP, no Vale do Paraíba, em 1920. Aos dez anos publicou seus primeiros versos em jornais locais. Órfã aos dezessete, radicou-se em São Paulo em 1938, onde cursou o magistério na Escola Normal Caetano de Campos e depois ingressou como funcionária concursada no IPASE. Conheceu Mário de Andrade em 1943, que a iniciou nos estudos de folclore, e frequentou o círculo literário chamado “Grupo da Baruel”. Em 1946 lançou seu primeiro livro, o romance Água funda, com grande sucesso. Ingressou em seguida na USP, onde se formou em Letras Clássicas em 1950, mesmo ano de seu segundo livro, Os filhos do medo, ampla pesquisa sobre o papel do diabo na tradição popular brasileira. Escreveu crônicas e artigos para diversos jornais e revistas, participou do Conselho Estadual do Folclore, foi professora da UNIFATEA e escreveu dezenas de livros, de ficção e não ficção, como Lendas e fábulas do Brasil (1963) e Dicionário da mitologia grega (1972), além da peça Romaria (com Miroel Silveira). Traduziu obras de Balzac, Dostoiévski e Alphonse Daudet, entre outros, e também O asno de ouro, de Apuleio. Em 2008 foi a primeira escritora negra eleita para a Academia Paulista de Letras. Faleceu em Cachoeira Paulista, em 2014, aos 93 anos.

De Ruth Guimarães, a Editora 34 publicou novas edições de Água funda e de sua tradução direta do latim de O asno de ouro, de Apuleio.

Neste link, texto de Joaquim Maria Botelho publicado na Revista Cult, em 13 de junho, que retraça a trajetória intelectual de Ruth Guimarães.


Água funda
Ruth Guimarães
Prefácio de Antonio Candido

200 p. — 14 x 21 cm
ISBN 978-85-7326-701-3
2018 — 1ª edição

Romance de estreia de Ruth Guimarães (1920-2014), uma das primeiras escritoras negras a ganhar destaque na cena literária brasileira, Água funda foi lançado em 1946, mesmo ano de Sagarana, de Guimarães Rosa. Mas enquanto o escritor mineiro se valia da plasticidade da fala sertaneja para inventar um léxico novo, entre o popular e o erudito, Ruth fez aqui uma original reconstituição etnográfica da linguagem caipira — que conheceu pessoalmente em sua infância passada no Vale do Paraíba e Sul de Minas —, aproximando-a das pesquisas de Mário de Andrade.
Entrelaçando diferentes tempos e personagens, inseridos no universo de uma comunidade rural na Serra da Mantiqueira, a autora construiu uma prosa ágil e fluida, permeada de ditos populares e causos marcados pela superstição e pelo fatalismo, que antecipa em certos aspectos o realismo mágico de Juan Rulfo e Gabriel García Márquez. É o caso das histórias de Sinhá Carolina, dona da Fazenda Nossa Senhora dos Olhos d’Água, e do casal Joca e Curiango, trabalhadores locais, num arco temporal que vai da época da escravidão até os anos 1930. Como afirma o narrador do livro: “A gente passa nesta vida como canoa em água funda. Passa. A água bole um pouco. E depois não fica mais nada”.
Esta nova edição de Água funda, que se tornou um clássico da literatura brasileira do século XX, conta ainda com excertos da crítica da época de seu lançamento, incluindo nomes como Brito Broca, Antonio Candido e Alvaro Lins, e uma das primeiras entrevistas de Ruth Guimarães, saudada então como uma revelação de nossas letras.


O asno de ouro
Apuleio
Tradução de Ruth Guimarães
Apresentação e notas adicionais de Adriane da Silva Duarte
Edição bilíngue

480 p. — 16 x 23 cm
ISBN 978-85-7326-748-8
2019 — 1a edição

Único romance latino da Antiguidade a sobreviver na íntegra até os nossos dias, O asno de ouro (também conhecido como Metamorfoses), de Apuleio, escrito no século II d.C., influenciou escritores como Boccaccio, Shakespeare e Flaubert, além de ter se tornado referência nos estudos literários acerca da evolução da prosa narrativa no Ocidente.
A obra traz a atribulada história do jovem Lúcio que, viajando à Tessália, na Grécia, se hospeda na casa de uma mulher versada nas artes mágicas. Curioso por conhecer os mistérios da metamorfose, ingere uma poção e é transformado por engano em um asno — sem perder, no entanto, a sua inteligência. Raptado por um bando de salteadores, passa por uma série de provações, e tem que trabalhar como burro de carga, num claro paralelo com a escravidão, até conseguir voltar à condição humana.
Na forma de asno, sendo um observador insuspeito, é testemunha privilegiada da intimidade dos homens e mulheres com quem se depara ao longo de suas aventuras, e assim a obra acaba compondo um interessante retrato da vida privada na época. Mais do que isso, a estrutura do romance possibilita a inserção de uma série de narrativas paralelas, contadas pelas personagens e ouvidas por Lúcio, sendo a mais conhecida a célebre história de Eros e Psiquê, que ocupa quase três dos onze capítulos do livro.
Obra única, verdadeira fábula sobre o pecado e a expiação, O asno de ouro é publicado aqui em edição bilíngue, com apresentação de Adriane da Silva Duarte, da Universidade de São Paulo, e tradução direta do latim realizada pela grande escritora Ruth Guimarães (1920-2014), que soube preservar com mestria toda a vivacidade e o colorido do original.

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