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O astrágalo

 

Albertine Sarrazin

Tradução de Mônica Kalil
Prefácio de Patti Smith

208 p. - 15 x 22,5 cm
ISBN 978-65-5525-263-7
2026 - 1ª edição

Publicado em outubro de 1965, o romance O astrágalo, de Albertine Sarrazin (1937-1967), conta a história da jovem delinquente Anne. Ao fugir da prisão, ela conhece Julien, seu grande amor, e fratura o pequeno osso do calcanhar que dá nome ao livro.

Autobiográfico até a medula, O astrágalo retrata uma vida na fronteira entre a precariedade, o submundo e a efervescência boêmia de Paris na metade dos anos 1960 — às vésperas, portanto, dos acontecimentos de maio de 1968. Tida por muitos como “alma gêmea de Jean Genet” ou “padroeira dos escritores inconformistas”, Albertine Sarrazin é poética sem perder o vigor narrativo ou abandonar a linguagem das ruas. Com descrições afiadas, peculiar senso de humor e tremenda dimensão introspectiva, o livro foi elogiado, antes mesmo de sua publicação, por ninguém menos que Simone de Beauvoir. Seus direitos de publicação foram disputados pelas mais importantes editoras da França e, embora combatido pelo gosto mais tradicionalista, obteve sucesso imediato ao sair, ganhou prêmios e fez carreira internacional. Uma vez lançado em outros países da Europa e nos Estados Unidos, influenciou toda uma geração de escritores e, sobretudo, de escritoras. Sua permanência fica evidente no prefácio de Patti Smith, contido nesta edição.

Bonnie & Clyde da nouvelle vague, o casal Albertine e Julien evoca também Michel e Patricia, protagonistas de Acossado (1960), de Godard. Uma frase de Albertine, dita ao juiz em sua primeira condenação, exprime bem a força de sua literatura: “Não tenho nenhum remorso. Quando tiver, eu aviso”.


Texto orelha

A vida de Albertine Sarrazin é um romance quase pronto. Começa em 1937, em Argel, quando a menina é abandonada pela mãe ao nascer. Adotada por pais idosos, ela é violentada aos dez anos, transplantada para a França contra sua vontade, enfiada em colégios internos, reformatórios e, finalmente, na penitenciária de Fresnes, em 1953.


Quatro anos depois, ao fugir da prisão, Albertine fratura o astrágalo, um osso do calcanhar, e dá início à segunda parte de sua trajetória. Ela e Julien, seu grande amor, encarnam a partir daí uma versão nouvelle vague de Bonnie & Clyde. Metem-se em roubos e com prostituição, entram e saem da cadeia inúmeras vezes.


Contudo, para que tanta radicalidade fosse transformada em literatura, era preciso um talento como o que parece jorrar de Albertine Sarrazin. Desde adolescente, ela enchera cadernos com relatos da vida de detenta, escrevera poemas, cartas, textos soltos, organizara o jornalzinho da carceragem e, num intervalo de liberdade, fizera bicos para o jornal Méridien. Já presa novamente, em 1964, havia escrito a primeira versão de O astrágalo. O romance foi lançado na França em 1965, com um sucesso logo também internacional. Até hoje cultuado em outros países, no Brasil circulou apenas uma vez, em 1967, com imagem de capa do artista Carlos Vergara, resgatada pela coleção Fábula nesta nova edição.


O sucesso e a permanência de O astrágalo se devem, primordialmente, à forte personalidade da narradora, com seu poder de observação cortante, a ética muito própria, o senso de humor boêmio, a revolta contra os papéis sociais pré-estabelecidos, a sinceridade visceral, a gana de amar e de encontrar a felicidade onde quer que seja. Também a linguagem utilizada pela autora é notável e cheia de nuances; um amálgama de expressão sofisticada e gírias da marginalidade, tensão narrativa e prosa poética.


Por fim, é decisivo para o impacto do livro seu evidente caráter autobiográfico. Já na época do lançamento, a combinação de intelectual e delinquente fascinou o público e o meio cultural; da mesma forma, a atitude intensa de Albertine, aferrada à vida, e sua beleza incomum — de talhe mignon, os cabelos presos num coque, o delineado “gatinho” sempre nos olhos, o nariz ligeiramente arrebitado e o estilo muito próprio de se vestir.


O astrágalo virou filme em 1968, dirigido por Guy Casaril. Sua autora, porém, já estava morta. Em 1967, aos 29 anos, ela encerrara a mesma parábola trágica de outros grandes talentos precoces e absolutamente rebeldes. “Alma gêmea de Jean Genet”, o epíteto pelo qual ficou conhecida, faz sentido para se entender a personalidade e a literatura de Albertine Sarrazin.


Esta nova edição inclui, pela primeira vez no Brasil, o prefácio da escritora e compositora Patti Smith sobre O astrágalo.


Sobre a autora

Albertine Sarrazin nasceu em 1937, em Argel, capital da então colônia francesa da Argélia. Deixada por sua mãe, uma adolescente espanhola, aos cuidados do órgão de acolhimento do Estado, foi adotada por um casal de idosos e recebeu uma educação rigorosa. Aos dez anos, foi violentada por um tio paterno, e após a família mudar-se para Aix-en-Provence, no sul da França, começou a revelar um comportamento rebelde. Cinco anos depois, em 1952, foi posta num colégio interno, e em seguida seu pais obtiveram autorização judicial para interná-la em um reformatório em Marselha. No ano seguinte fugiu da instituição rumo a Paris. Lá reencontrou uma ex-colega do reformatório e juntas viveram uma iniciação na marginalidade, roubando carros, furtando lojas e se prostituindo para sobreviver. Ao tentar assaltar um supermercado, Albertine feriu uma vendedora com um tiro. Procuradas pela polícia, as duas amigas foram presas em agosto de 1953, quando Albertine tinha dezesseis anos. Enviada à penitenciária de Fresnes, foi condenada a sete anos de prisão. Por correspondência, passou no exame de formatura do ensino médio, e foi transferida para uma prisão-escola em Doullens, em 1956, ano em que seus pais anularam a sua adoção. Ali se inscreveu em um curso de estudos literários, mas antes das aulas começarem, em abril de 1957, Albertine escapou da prisão, pulando um muro de dez metros de altura e fraturando um osso do calcanhar, o astrágalo. Na fuga conheceu Julien Sarrazin, um ex-presidiário que continuara a levar uma vida à margem da lei. Ele escondeu Albertine na casa da mãe e os dois se apaixonaram. Em setembro de 1958, em Abbeville, os dois foram novamente presos, Julien por roubo, do qual foi inocentado, e Albertine por uso de documentos falsos. Em fevereiro de 1959, Julien e Albertine casaram-se em Paris, ela escoltada por dois policiais. Em 1964, após uma série de furtos, perseguições da polícia e prisões, os dois se instalaram em uma velha casa de aldeia em Saint-Andréfabula-de-Majencoules. Foi então que Albertine pode se dedicar aos escritos que havia iniciado na juventude, durante suas sucessivas detenções, como La Cavale [A fuga], e Les soleils noirs [Os sóis negros], a primeira versão de O astrágalo. O manuscrito de La Cavale foi lido por Simone de Beauvoir, que o recomendou à Gallimard, mas a editora Pauvert arrematou os dois romances, La Cavale e O astrágalo, e os publicou simultaneamente em 1965. O sucesso de O astrágalo foi ainda maior que o de La Cavale, e o livro recebeu o Prêmio dos Quatro Júris em 1966 e a autora passou a trabalhar na sua adaptação para o cinema. Antes da estreia do filme, porém, e após a publicação de seu terceiro romance, La Traversière, Albertine, que tinha saúde frágil, acabou falecendo durante uma cirurgia, em 10 de julho de 1967, pouco antes de completar trinta anos.



Sobre a tradutora

Nascida em São Paulo em 1968, Mônica Kalil formou-se em Comunicação Social pela ESPM (1989) e Administração de Empresas pela FGV (1991). Voltando-se às letras e ao mercado editorial, tornou-se mestre em Estudos da Tradução pela Universidade de São Paulo (2017), com dissertação sobre Marguerite Yourcenar, e integrou, como preparadora de texto, a equipe da Comissão da Verdade da mesma universidade (2016-2017). Entre suas traduções mais recentes, destacam-se As formas do visível: uma antropologia da figuração, de Philippe Descola (Editora 34, Coleção Fábula, 2023) e Sobre a violência e sobre a violência contra as mulheres, de Jacqueline Rose (Fósforo, 2022).



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