Busca rápida
por título, autor, palavra-chave, ano ou isbn
 
 

A Chão Editora é uma iniciativa da escritora e editora Beatriz Bracher, de seu pai, Fernão Bracher (1935-2019), e da editora Marta Garcia (ex-Companhia das Letras e Cosac Naify). Fundada em 2018, pretende incentivar o estudo da memória nacional mediante a publicação, principalmente, de fontes primárias, ou seja, relatos, diários, cartas, depoimentos, memórias e crônicas de viagem. Trabalhando na interseção entre literatura e história, e dando voz a indivíduos das mais variadas extrações sociais, o objetivo da Chão Editora é colocar o leitor em contato direto com textos e documentos que representam diferentes modos de viver e pensar, em especial do Brasil do século XVIII ao início do século XX. Também fará parte do catálogo da editora certa literatura, inédita, ou hoje esquecida e desvalorizada, que possa ser analisada como documento histórico. Em cada livro, esses textos e documentos serão acompanhados de comentários de especialistas — historiadores, críticos literários, cientistas sociais — que os contextualizem. O público-alvo é o leitor culto e não acadêmico, ainda que as publicações possam ser bem acolhidas no universo escolar e universitário.
Para contatar diretamente a Chão Editora, escreva para editora@chaoeditora.com.br.


1  

Jovita Alves Feitosa
voluntária da pátria, voluntária da morte

José Murilo de Carvalho

Chão Editora
 
Em 1865, a cearense Jovita Alves Feitosa, de dezessete anos, vestiu-se de homem e decidiu alistar-se como voluntária da pátria na Guerra do Paraguai. Descoberto o disfarce, Jovita foi, ainda assim, aceita como voluntária pelo presidente da província, no posto de segundo-sargento. Transformada em celebridade do dia para a noite, fez um percurso triunfal de Teresina ao Rio de Janeiro. Mas, por fim, Jovita não foi aceita como combatente e desapareceu do noticiário até seu suicídio, dois anos depois. Em Jovita Alves Feitosa: voluntária da pátria, voluntária da morte, José Murilo de Carvalho, um dos maiores historiadores em atividade no país, reproduz e analisa preciosos documentos de época, que compõem um quadro rico e complexo. Estão reproduzidas uma pequena biografia datada de 1865, notícias de jornal, um depoimento dado à polícia, documentos, diversos poemas escritos em sua homenagem, fotografias. Estudando os limites entre fato e mito, o autor busca entender os sonhos e a luta da voluntária - e as relações que se estabeleceram entre ela e a sociedade de seu tempo.
R$ 44,00
 
Diálogos Makii de Francisco Alves de Souza
manuscrito de uma congregação católica de africanos Mina, 1786

Organização de Mariza de Carvalho Soares

Chão Editora
 
Os Diálogos Makii foram escritos em 1786 por Francisco Alves de Souza, um ex-escravo africano natural da Costa da Mina, no Golfo da Guiné. Um dos diálogos trata da Congregação Makii, irmandade católica fundada por africanos no Rio de Janeiro, onde um conflito sucessório levou à eleição de Souza como seu regente. O segundo diálogo trata da conquista da Costa da Mina por portugueses e holandeses. Documento raríssimo e inédito, os diálogos trazem a público fatos e personagens de uma história que de outra forma estariam fadados ao esquecimento e ao anonimato. A primorosa pesquisa da historiadora Mariza de Carvalho Soares é indispensável para todos os interessados em compreender a história do Brasil, a história da África e a história da diáspora africana nas Américas. "Mariza de Carvalho Soares localizou um documento fantástico e fez dele excelente análise" (José Murilo de Carvalho, sobre os Diálogos Makii).
R$ 54,00

 
Fantina: cenas da escravidão

Francisco Coelho Duarte Badaró

Chão Editora
 
Em Fantina, de F. C. Duarte Badaró, Frederico, malandro e sensual, conquista a viúva dona Luzia por puro interesse. Depois do casamento, estabelece-se uma situação típica das fazendas escravistas do século XIX: senhor da casa, o aventureiro inescrupuloso quer também exercer seu direito de posse sexual sobre as escravas. A figura desse malandro urbano, tocador de viola, adentra o universo da fazenda e - em meio a vívidas descrições de saraus regados a violão e modinhas na casa-grande, e de batuques de escravos nos terreiros - desencadeia o drama de Fantina, jovem e bela escrava de dona Luzia. O romance Fantina, publicado pela primeira vez em 1881, não apenas retrata usos e costumes do passado. Diz muito sobre o Brasil atual, em que diversas questões civilizatórias colocadas pela luta contra a escravidão estão novamente em pauta, em pleno século XXI. No posfácio a esta edição, o historiador Sidney Chalhoub (Harvard/Unicamp), analisa o papel fundamental que a literatura desempenhou no movimento abolicionista brasileiro. Compara Fantina a outros romances da época, como Escrava Isaura, Ursula e A cabana do pai Tomás, e mostra a naturalização do abuso sexual dos senhores sobre suas escravas, para o qual a lei não previa nenhuma punição. Afirma Chalhoub: "Então e agora, mentes e corpos de mulheres negras movem estruturas e despertam reações contrárias violentas. Ao mesmo tempo, exigem de todos nós a ousadia de imaginar e realizar um outro futuro em liberdade".
R$ 49,00

     
O 15 de Novembro e a queda da Monarquia
relatos da princesa Isabel, da baronesa e do barão de Muritiba

Organização de Keila Grinberg e Mariana Muaze

Chão Editora
 
15 de novembro de 1889, data da proclamação da República brasileira, foi também o último dia da família imperial no Brasil. Na madrugada do dia 16 para o dia 17, uma pequena comitiva deixou o Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e embarcou rumo ao exílio na Europa. A bordo do navio Alagoas, além da família imperial, viajaram criados, o médico do imperador e amigos próximos da família. Entre eles, o casal Manuel Vieira Tosta e Maria José Velho de Avelar, barão e baronesa de Muritiba - uma das amigas mais íntimas da princesa Isabel. A princesa, a baronesa e o barão de Muritiba escreveram seus próprios relatos sobre a queda da Monarquia, a proclamação da República e o exílio da família imperial. Esses relatos - dois deles inéditos - estão sendo publicados pela primeira vez em conjunto. Isabel começou a escrever no dia 22 de novembro de 1889, ainda no calor dos acontecimentos, a bordo do navio que os levava para Portugal. "Escrevo tudo isto porque é raro relatar-se exatamente o que se ouve", afirmava. Talvez encorajada pela amiga, a baronesa também elaborou, durante a viagem para a Europa, sua própria exposição dos fatos que vivenciou. O barão, por sua vez, escreveu em 1913, quando os três viviam em Cannes. Os três relatos narram os acontecimentos vividos por seus autores entre 14 de novembro e 7 de dezembro de 1889, quando chegaram a Lisboa. Estes documentos foram encontrados por acaso em meio a cartas, bilhetes, fascículos de revistas avulsas, livros, folhetos de orações fúnebres, diplomas, convites de casamento e certidões doados pela família Vieira Tosta ao Arquivo Nacional. Mais que narrativas pessoais escritas por importantes figuras da Monarquia brasileira, são uma tentativa de dar inteligibilidade ao evento que afetou suas vidas e a história do país. 130 anos depois, esses relatos são também uma oportunidade de reflexão acerca das versões construídas por republicanos e monarquistas sobre a proclamação da República. Sobre a princesa Isabel, a baronesa e o barão de Muritiba A princesa Isabel (1846-921) era filha do imperador d. Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina. Casou-se em 1864 com Gastão de Orléans, neto do rei da França, Luís Filipe I. Herdeira do trono brasileiro, foi exilada com os demais membros da família imperial em 1889, com a proclamação da República. Maria José Velho de Avelar (1851-1932) era descendente de família de damas de companhia da família real portuguesa e cresceu como uma das melhoras amigas da princesa isabel. Casou-se com Manuel José Vieira Tosta em 1869, recebendo o título de baronesa de Muritiba em 1888. Manuel Vieira Tosta Filho (1839-1924) era filho de Manuel Vieira Tosta, visconde e marquês de Muritiba, e de Isabel Pereira de Oliveira. Formou-se em direito pela Faculdade de São Paulo em 1860. Casou-se com Maria José Velho de Avelar em 1869 e recebeu o título de barão de Muritiba em 1888.
R$ 51,00
 
Dias ensolarados no Paraizo: memórias

Brazilia de Oliveira Lacerda

Chão Editora
Posfácio; Jorge Caldeira
 
Brazilia Oliveira de Lacerda nasceu um ano antes da abolição da escravatura. Bisneta de visconde (do Rio Claro), neta de barão (de Arary) e nora de conde (do Pinhal), foi não apenas uma representante da elite agrária paulista, mas também, revela-se agora, uma de suas raras cronistas. Quando morreu, em 1966, deixou na gaveta diversas recordações de vida, preservadas em pequenos cadernos pautados, preenchidos de próprio punho. Os manuscritos presentes nesta edição cobrem treze desses anos. Os principais cenários de suas recordações são a fazenda Paraizo, onde vivia com seus pais e irmãos, e São Paulo, onde a família passava dois meses por ano na casa que mantinham na capital. Nos dois cenários, sobressaem costumes ditados pela tradição e pela temporalidade dos cafezais. Com descrições pormenorizadas do cotidiano, esses registros reforçam a dimensão histórica da economia cafeeira na transição do século XIX para o século XX e jogam luz sobre a atuação feminina em domínios historicamente tratados como exclusivos dos "barões do café". Preparada para desempenhar o único papel que cabia às mulheres da época, Brazilia terminou legando para a posteridade um ponto precioso para entender a história do Brasil.
R$ 41,00

 
Páginas de recordações: memórias

Floriza Barbosa Ferraz

Chão Editora
Posfácio: Marina de Mello e Souza
 
Nascida em Rio Claro, no interior do estado de São Paulo, em 1874, Floriza Barboza Ferraz fazia parte de uma tradicional família da elite rural paulista. Até o início da adolescência, teve ao lado dos irmãos uma vida idílica na fazenda do Pitanga, propriedade dos pais ainda mantida pelo trabalho escravo. Com a Abolição, contudo, o pai de Floriza não se adaptou às novas relações de trabalho e vendeu a propriedade para viver com a família em Piracicaba. Num primeiro momento, a mudança não significou muito para a adolescente, que tinha planos de tornar-se freira. Aos dezenove anos, no entanto, por insistência da família, casou-se por arranjo com Antônio Silveira Corrêa, cunhado de um de seus irmãos. O matrimônio foi uma ruptura radical na vida a que estava acostumada. Três anos mais tarde, Floriza e o marido deixaram o conforto da cidade para plantar café na terça parte que lhes cabia de uma propriedade comprada pelo sogro de Floriza. Floriza descreve o lento e árduo trabalho de constituição de sua fazenda do Engenho, no município de Lençóis Paulista. Com riqueza de detalhes e numa linguagem simples e direta, relata as dificuldades do desbravamento daquela região na virada do século XIX para o XX. Escritas em 1947, como simples remédio "para desabafar o coração", estas Páginas de recordações revelam-se um documento histórico ímpar ao registrar a importância do trabalho feminino na implantação das fazendas de café no sertão paulista. Uma prova de como, no fio do tempo, todo registro particular se torna parte da memória coletiva de um país.
R$ 59,00

     
1  

© Editora 34 Ltda. 2020   |   Rua Hungria, 592   Jardim Europa   CEP 01455-000   São Paulo - SP   Brasil   Tel (11) 3811-6777 Fax (11) 3811-6779